Pai e madrasta condenados a mais de 300 anos por abuso sexual de adolescentes
Pai e madrasta condenados a mais de 300 anos por abuso

O Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) condenou, nesta quarta-feira (17), um pai e uma madrasta por obrigarem duas adolescentes a produzirem fotos e vídeos de conteúdo sexual, com metas diárias e horários para entrega do material, em Rio Branco do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba. O pai foi condenado a 358 anos de prisão, e a madrasta, a 318 anos. O g1 optou por não divulgar o nome deles para proteger a identidade das vítimas, que, na época dos crimes, tinham 13 e 16 anos.

O homem é pai da jovem que tinha 16 anos e padrasto da menina de 13. Tanto ele quanto a companheira foram condenados pelos crimes de coação para produção de pornografia infantil, estupro de vulnerável, estupro, corrupção de menores, tráfico de pessoas, produção/filmagem de pornografia infantil, armazenamento de pornografia infantil, divulgação de pornografia infantil e ameaça. A sentença determinou também o pagamento de indenização por danos morais no valor de R$ 100 mil para cada uma das vítimas.

Esquema com tom de seita

As investigações apontaram que o esquema tinha tom de "seita", usando mensagens com misticismo e códigos para pressionar as vítimas. Nas conversas, os suspeitos informavam que o material deveria ser entregue até as 22h. "Por favor, não hesite em errar de novo, ou novamente para que apaguem-se todas as suas oportunidades, ok? Seja esperta e não faça por errar para que tenhas que ser punida sem chance de volta [...] Você tem apenas uma hora a partir de agora para concluir seu acordo diário, ok? Não perca tempo e mais esta oportunidade de redenção", dizia uma das mensagens.

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Rodrigo Cunha, advogado das vítimas, afirmou que a justiça foi feita. "Hoje, uma mãe e suas filhas podem voltar a respirar e a dormir em paz, com a certeza de que foram ouvidas e protegidas. Afinal, quem tem a coragem de roubar a infância de inocentes crianças vai descobrir que a Justiça tem coragem de punir severamente", disse.

Mãe das vítimas denunciou o crime

As investigações começaram depois que a mãe das adolescentes descobriu que elas eram ameaçadas pelo suspeito para produzir os conteúdos sexuais. A polícia apurou que, em outubro de 2024, durante um passeio em um parque de Curitiba, o homem de 63 anos vendou as adolescentes e as levou para a casa dele. Com ajuda da atual esposa, ele gravou os primeiros vídeos de conteúdo sexual das vítimas.

Depois de um tempo, as ameaças se intensificaram. "A partir disso, as vítimas passaram a ser sistematicamente coagidas pelos investigados a produzirem vídeos de cunho pornográfico entre si e com terceiros, sob a imposição de uma meta diária de produção", detalhou, na época, o delegado Gabriel Fontana, que investigou o caso.

O caso foi denunciado em fevereiro de 2025, quando a mãe das vítimas recebeu ameaças de divulgação de vídeos de conteúdo sexual das filhas. Segundo a polícia, as mensagens eram enviadas pelo suspeito.

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