O padre Françoá Rodrigues Figueiredo Costa, que teve a excomunhão confirmada pela Arquidiocese de Brasília nesta segunda-feira (13), rejeita a decisão e afirma que a punição é "nula" e "inválida". Nascido em 1979, em Redenção do Gurguéia, Piauí, ele migrou para Brasília aos 8 anos e posteriormente ingressou na vida religiosa em Anápolis, Goiás. Ordenado sacerdote em 8 de dezembro de 2004, atuou em paróquias de várias dioceses, incluindo Anápolis, Brasília e Itumbiara, além de atividades no exterior.
Trajetória acadêmica e atuação pastoral
Françoá tornou-se doutor em teologia em 2011 pela Universidade de Navarra, na Espanha. Foi professor da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás), diretor da Faculdade Católica de Anápolis entre 2014 e 2018 e professor do Institutum Sapientiae. Segundo o próprio sacerdote, parte de seu trabalho pastoral focou no acompanhamento de universitários e famílias, além do ensino de teologia.
Fundação da Capela Santo Atanásio
Em maio de 2025, Françoá fundou a Capela Santo Atanásio em Ceilândia, administrada pela Associação Cultural Athanasianum, entidade privada criada no mesmo período. O espaço mantém um "laço de amizade" com a Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) e afirma compartilhar "as mesmas posições" do grupo, que entrou em conflito com o Vaticano após ordenar quatro bispos sem autorização do papa Leão XIV.
Em dezembro de 2025, Françoá declarou em redes sociais que celebrava o primeiro aniversário sacerdotal "totalmente integrado na tradição católica" e que passaria a celebrar exclusivamente a missa no rito tradicional, sem pretender voltar à missa reformada após o Concílio Vaticano II.
Excomunhão e reação
A Arquidiocese de Brasília confirmou a excomunhão do sacerdote e orientou os fiéis a evitar as atividades da capela. Françoá, no entanto, contesta a existência de cisma, argumentando que a punição é inválida. O Vaticano declarou que a FSSPX está oficialmente "em cisma" com a Igreja Católica, significando uma ruptura grave e formal. A fraternidade defende o retorno das missas em latim e rejeita parte das reformas litúrgicas adotadas há mais de 60 anos.
Contexto do conflito
A crise se intensificou após a ordenação de quatro bispos pela FSSPX em 1º de julho de 2026, em Écône, na Suíça, sem autorização da Santa Sé. O Vaticano considerou o ato "cismático" e excomungou os bispos envolvidos, alertando que padres e fiéis que aderirem formalmente ao grupo também estão em situação de cisma. A fraternidade rejeita a decisão, afirmando que as ordenações eram necessárias para garantir a continuidade de suas atividades religiosas.
O conflito entre a FSSPX e o Vaticano remonta a 1988, quando o fundador Marcel Lefebvre ordenou quatro bispos sem autorização do papa João Paulo II, resultando em excomunhão. A punição foi revogada em 2009 pelo papa Bento XVI, mas a situação canônica da fraternidade permaneceu irregular.



