O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) ofereceu denúncia contra a influenciadora Deolane Bezerra e outros seis investigados por possível ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A ação ocorre no âmbito da Operação Vérnix, deflagrada em maio deste ano, que resultou na apreensão de carros de luxo e no bloqueio de R$ 27 milhões em bens da influenciadora.
Entendimento do MP sobre a apreensão de bens
Segundo o MP-SP, a apreensão dos veículos e o bloqueio financeiro foram medidas necessárias para impedir que os investigados se desfizessem dos bens antes da conclusão das apurações. A investigação, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Presidente Prudente, apontou que há risco de transferências patrimoniais por meio de pessoas jurídicas e interpostas pessoas.
Papel de Deolane na organização
De acordo com o relatório do MP, divulgado nesta quarta-feira (10), Deolane Bezerra atuava como uma espécie de "caixa" do PCC, movimentando milhões de reais relacionados à facção. Ela utilizava sua estrutura financeira e sua aparente respeitabilidade social para inserir valores ilícitos no sistema financeiro formal. A investigação também revelou que a influenciadora planejava reestruturar suas empresas e enviar recursos para fundos em Dubai, país conhecido por abrigar "shell companies" (empresas de fachada), facilitando a lavagem internacional de dinheiro da facção.
Condições da prisão
Deolane está presa desde 22 de maio em uma cadeia feminina em Tupi Paulista (SP). No local, ela tem acesso a maquiagem e produtos de estética uma vez por semana. A unidade prisional possui habitações individuais equipadas com cama, mesa, cadeira, banheiro com chuveiro elétrico, ventilador, televisão, água gelada e garrafa térmica, além de solário para banho de sol diário.
Bens apreendidos na Operação Vérnix
Os veículos alvo da operação foram: Cadillac Escalade, Land Rover Range, Mercedes-AMG G 63 e Jeep Commander. O valor de mercado estimado desses carros varia entre R$ 220 mil e R$ 2,5 milhões. Segundo a investigação de Pernambuco, que já havia prendido Deolane em 2025 em outro caso envolvendo apostas online, ela teria investido mais de R$ 65 milhões em imóveis e veículos de luxo.
Nas redes sociais, a influenciadora costumava exibir carros esportivos de luxo, helicópteros, jet skis, joias, mansões em Alphaville e viagens internacionais em jatos e hotéis de luxo.
Denúncia do Ministério Público
O relatório do MP reforçou que dois dos denunciados, Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, sobrinhos de Marcola, permanecem foragidos. Informações apontam que eles se encontram no exterior, o que, para a Promotoria, justifica o pedido de prisão preventiva para assegurar a aplicação da lei penal.
Diante da situação, o Ministério Público Estadual denunciou à Justiça: Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, Deolane Bezerra Santos, Everton de Souza, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, Marco Willian Herbas Camacho (Marcola) e Paloma Sanches Herbas Camacho.
Mesmo já presos em unidade federal de segurança máxima, as investigações apontaram que Marcola e o irmão Alejandro cometeram novos delitos, como integrar organização criminosa e lavagem de capitais, durante o cumprimento de pena. Isso reforçou que a prisão preventiva é o único meio adequado para garantir a ordem pública e, portanto, o Ministério Público Estadual requer a manutenção da prisão preventiva dos denunciados.
O que dizem os citados
A defesa de Marco Willians Herbas Camacho (Marcola), Paloma Sanches Herbas Camacho, Leonardo Alexander Ribeiro Herbas Camacho e Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, representada pelo advogado Bruno Ferullo, se pronunciou nesta quarta-feira (10). Em nota, a defesa reforçou que Marcola e Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior (irmão de Marcola e colíder da organização) cumprem pena em unidade federal de segurança máxima desde fevereiro de 2019 e que estão "submetidos a severas restrições de contato e comunicação, o que, por si só, torna inviável qualquer participação nos fatos investigados e evidencia o equívoco da acusação."
Já sobre o envolvimento de Leonardo Alexander Ribeiro Herbas Camacho e Paloma Sanches Herbas Camacho (sobrinhos de Marcola), a defesa contesta as citações feitas pelo Ministério Público. "O mero vínculo familiar com os demais denunciados não pode ser confundido com participação criminosa, sendo inaceitável que a simples proximidade afetiva sirva de fundamento para uma acusação desta magnitude", diz o comunicado.
Quanto ao patrimônio e dinheiro citados na denúncia, o advogado informou que possuem regularidade, conforme provas e esclarecimentos apresentados. Bruno Ferullo ainda disse que adotará todas as medidas processuais cabíveis para demonstrar a fragilidade da narrativa acusatória e a improcedência das imputações atribuídas aos seus constituintes.



