MP-AC investiga madrasta suspeita de dar soda cáustica a enteada de 11 anos
MP-AC investiga madrasta por soda cáustica em enteada de 11 anos

O Ministério Público do Acre (MP-AC) instaurou uma notícia de fato para acompanhar o caso da menina de 11 anos que, sob suspeita, ingeriu soda cáustica fornecida pela madrasta em Rio Branco. O órgão vai fiscalizar as investigações da Polícia Civil e apurar se houve tentativa de homicídio, tortura e maus-tratos. Segundo a instituição, a menina segue em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into-AC).

Procedimento oficial do MP-AC

O procedimento apura se a violência foi motivada por discriminação pela idade, gênero ou principalmente à condição da menina ser enteada, bem como possível sinal de violência doméstica ou familiar. A Polícia Civil afirmou que a delegada 'não irá falar para não atrapalhar as investigações'. Como parte do acompanhamento, o órgão pediu perícia do produto químico e das lesões sofridas pela criança. Ainda conforme a notícia de fato, o Conselho Tutelar vai verificar a situação da vítima e de eventuais irmãos, bem como a adoção de medidas protetivas cabíveis. O caso está em segredo de Justiça e o g1 não conseguiu contato com a família da menina.

Visita do promotor ao hospital

O promotor de Justiça Thalles Ferreira visitou o Into-AC nesta terça-feira (7), onde a criança está na UTI. Segundo o órgão, a diligência serviu para obter informações institucionais que auxiliem a apuração. A pastora Regiane Maciel, vizinha da família que socorreu a criança e registrou boletim de ocorrência, relatou que o promotor a informou sobre o estado grave da menina. 'O promotor Thalles Ferreira me ligou após ter ido visitar ela e disse que a equipe o informou que [a criança] vai precisar passar por várias cirurgias e estão vendo a possibilidade, inclusive, de uma delas ocorrer ainda nesta terça', contou.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Comoção e doações

A pastora disse que recebeu ajuda de amigos após pedir doações nas redes sociais para comprar itens básicos para a criança, como roupas, pijamas, peças íntimas e cobertores. Nas imagens, é possível ver sandálias, cobertores, pijamas, lenço umedecidos e alguns brinquedos. Segundo ela, parte das pessoas enviou contribuições, mas ela decidiu suspender a campanha enquanto a menina está internada. Os itens ainda não foram entregues. 'Eu pedi ajuda nos meus stories para quem pudesse doar qualquer valor, para que eu pudesse comprar umas coisas para ela, mas agradeci e disse que não era o momento, porque ela ainda está no hospital. O que eu pude fazer, eu já fiz. Agora vamos orar que ela saia do hospital', explicou.

Relato do socorro

Na segunda-feira (6), Regiane Maciel contou ao g1 que o pai da criança chegou em sua casa no bairro Apolônio Sales, na capital acreana, junto com a filha, na última sexta-feira (3). A menina estava vomitando sangue e tinha sinais de extrema gravidade. A madrasta também apareceu no local. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e a menina foi levada para o Pronto-Socorro de Rio Branco. 'Eu socorri ela junto com meu esposo, já desmaiada. A mãe dela mora no seringal muito longe, não criou ela. É uma menina ótima, muito quieta', resumiu.

Versões contraditórias

Ainda segundo a pastora, antes de perder a consciência, a menina relatou que viu a madrasta oferecendo um remédio ao pai, que cuspiu o líquido após perceber um gosto estranho. Depois, a menina disse que foi obrigada pela mulher a tomar o líquido. Conforme a moradora, a madrasta apresentou diferentes versões sobre o ocorrido. Enquanto estava na casa da pastora, o pai da menina chegou a acusar a companheira de tentar matar a filha com soda cáustica e 'disse que preferia ser preso do que entregar a companheira'.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Denúncia nas redes sociais

A pastora também denunciou o caso nas redes sociais em um vídeo. 'O que aconteceu com essa criança é inadmissível. Não sabia, de fato, o que tinha acontecido, apenas que a madrasta deu um remédio e tinha feito mal. O pai disse: 'ela tentou matar minha filha envenenada'', diz em parte do vídeo. A situação foi denunciada ao 2º Conselho Tutelar de Rio Branco e é acompanhada pela 3ª Promotoria Especializada de Defesa da Criança e do Adolescente do MP-AC e pela Justiça. O órgão confirmou que recebeu denúncia de maus-tratos contra a criança e acompanha seu estado, mas não pode fornecer mais detalhes devido ao segredo de Justiça, garantindo que a prioridade é o atendimento e a proteção da criança e que todas as medidas foram adotadas.