O júri do caso Henry Borel chegou ao 9º dia nesta terça-feira (2) com o depoimento de Monique Medeiros, mãe do menino e réu no processo. Ela começou a ser interrogada por volta das 10h30 e relatou episódios de agressão do ex-vereador Jairinho contra a criança desde o início do relacionamento.
Relato de abraço apertado
Monique afirmou que Henry, inicialmente, gostava de Jairinho, que sempre dava presentes. No entanto, no final de janeiro, ocorreu um episódio de 'abraço apertado' que a fez perceber uma mudança. 'O Leniel (pai da criança) disse que o Henry relatou um abraço apertado do Jairinho. 'Eu quero que você fale para ele que não quero abraço no meu filho', e eu acatei o pedido do pai. Chamei o Jairinho, o Leniel disse que não queria mais abraço, e eles deram um aperto de mão amistoso', relatou Monique.
Episódio de 'banda' e 'moca'
Na mesma época, em novembro de 2020, cinco meses antes da morte de Henry, houve um episódio de uma 'banda' e uma 'moca' dadas por Jairinho na criança. 'O Henry saiu correndo da sala e disse: 'Tio Jairinho me deu uma banda, me deu uma moca, falando que eu era bobalhão e mimado'. Ele disse que tinha só segurado ele pelos braços, passou a perna e ele nem tinha caído'. Segundo Monique, Henry e Jairinho passaram a se afastar depois desse episódio.
Emoção ao negar alerta da babá
Ao negar que foi alertada pela babá Thayná Ferreira sobre as agressões de Jairinho no dia 2 de fevereiro de 2021, Monique se emocionou e chorou muito. 'Ela falou que me contou no mesmo dia, e isso é mentira. Eu nunca ia deixar isso acontecer, eu nunca deixaria os dois juntos'. Monique narrou as mensagens que trocou com a babá no dia 12 de fevereiro, quando ocorreu um dos episódios de tortura investigados pela polícia. Na ocasião, Jairinho se trancou no quarto com Henry, que saiu cinco minutos depois mancando e reclamando de dores na cabeça. 'Ela contou que o Jairinho tinha chamado o Henry para ver o que ele tinha comprado. O Jairinho sabia que não queria que ele ficasse sozinho com o Henry. E ela disse: 'Acho melhor você vir'', contou Monique.
Episódios de traição e agressão
Monique disse que, logo no início do relacionamento, recebeu uma mensagem de Débora numa rede social, afirmando que ela e Jairinho também estavam namorando. Monique ligou para esclarecer: 'Débora disse que estava num relacionamento com Jairo havia seis anos, e ele desmentiu ela. Eu acreditei nele, mas fiquei com o pé atrás. Ela começou a me mandar prints, dizendo que tinha batido nela, que ele a tinha perseguido. Eu não acreditei, e eu e Jairinho voltamos a namorar', relatou.
A mãe de Henry contou que, em novembro de 2020, quando estava dormindo na casa dos pais em Bangu, na Zona Oeste, acordou com Jairinho a enforcando depois que ele teve uma crise de ciúmes. 'Ele pulou o muro da casa dos meus pais, acordou me enforcando, jogando o telefone na minha cara porque tinha visto mensagens do Leniel comigo. Ele tinha a minha senha. Eu não tinha a senha dele, e eu descobri que ele tinha outras mulheres enquanto estava comigo'. Monique relatou que, no dia seguinte, Jairinho pediu desculpas, alegando que estava embriagado, e o relacionamento continuou.
Ordem dos interrogatórios
Uma decisão da 7ª Câmara Criminal do Rio determinou que Jairinho só seja interrogado depois de Monique. O pedido foi feito pelos advogados Rodrigo Faucz e Alanis Matzembacher, que argumentaram que Monique acusa o ex-vereador de ter cometido o crime sozinho e, por isso, o depoimento dela antes do dele é essencial para que a defesa possa conhecer integralmente as acusações e se manifestar de forma adequada.
Antes do início do julgamento, o advogado de Monique, Hugo Novais, afirmou que ela não deixará de responder a nenhuma pergunta. 'Monique vai responder a tudo que for perguntado, evidentemente que de maneira estratégica'. Segundo ele, Monique foi levada a júri por machismo e misoginia. 'Por uma visão distorcida, por uma ótica de misoginia, de machismo, se atribuiu uma responsabilidade penal a uma mulher, pautado único, exclusivamente, num comportamento que se deveria ter, mas que não foi correspondido, dizendo que uma mãe foi ao salão depois do enterro do filho', ressaltou.
Fases do julgamento
Após os interrogatórios dos réus, começam os debates entre acusação e defesa. O Ministério Público e os assistentes de acusação terão entre 2h30 e 3h para apresentar suas teses aos jurados. As defesas também terão tempo igual. Como há dois réus, os advogados precisarão dividir esse tempo. Depois, a acusação poderá fazer réplica de até 2h, e as defesas terão direito à tréplica de até 2h (1h para cada réu). Somadas, as manifestações podem ultrapassar dez horas.
Depois do debate, os sete jurados do Conselho de Sentença responderão quesitos sobre materialidade e autoria dos crimes, formulados de forma distinta para cada réu. A decisão é tomada por maioria de votos. Quando a votação for concluída, a juíza Elizabeth Machado Louro proferirá a sentença, estabelecendo a dosimetria das penas.
Testemunhas ouvidas
Até a segunda-feira (1), 22 testemunhas foram ouvidas: 13 de acusação e 9 pelas duas defesas. Durante o julgamento, cinco testemunhas foram dispensadas. Desde o início da sessão, em 25 de maio, testemunhas de acusação, peritos, policiais, profissionais de saúde, ex-companheiras de Jairinho e pessoas que conviveram com o casal apresentaram versões e informações que ajudam a reconstruir os últimos meses de vida da criança.
Veja as testemunhas ouvidas:
- Ministério Público e Assistência de acusação: Edson Henrique Damasceno, Ana Carolina Lemos Medeiros De Caldas, Rafael Bernardon Ribeiro, Maria Cristina De Souza Azevedo, Kaylane De Oliveira Duarte Pereira, Natasha De Oliveira Machado, Debora Mello Saraiva, Leila Rosângela De Souza Mattos, Tereza Cristina Dos Santos, Paloma Dos Santos Meireles, Luiz Carlos Leal Prestes, Luiz Airton Saavedra, Leniel Borel.
- Defesa de Monique: Bryan Medeiros, Ari Mamede, Márcia Eduarda Andrade Oliveira, Thayna De Oliveira Ferreira (babá).
- Defesa de Jairinho: Jairo Souza Santos, Fernanda Abidu Figueiredo, Miriam Santos Rabelo Costa, Leonardo Huber Tauil, Jefferson Evangelista Corrêa.



