Operação Gutenberg: médica Olívia Jafar deixa prisão após fiança
Médica Olívia Jafar deixa prisão após pagar fiança

A médica Olívia Paroschi Jafar, alvo da Operação Gutenberg, deixou a prisão no sábado (18) após pagar fiança e passar a usar tornozeleira eletrônica. Ela é investigada por suposta participação em organização criminosa que usava a regulação de vagas, exames e cirurgias do Sistema Único de Saúde (SUS) em Mato Grosso do Sul para pressionar prefeitos a comprar livros da Editora Avante. O esquema teria movimentado mais de R$ 27 milhões em contratos fraudulentos entre 2022 e 2024, segundo o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco).

Atuação na Santa Casa de Campo Grande

Olívia atuou como plantonista no Pronto Atendimento do Privado (Prontomed) da Santa Casa de Campo Grande em 2025, prestando serviços como pessoa jurídica (PJ) por meio da empresa Jafar Estética e Saúde Ltda. O hospital não é alvo da investigação. Segundo a Santa Casa, a médica começou a trabalhar em janeiro de 2025 como autônoma e depois formalizou o contrato. O último plantão registrado foi em janeiro de 2026. A instituição afirmou que exigiu certidões negativas e documentos de regularidade junto ao Conselho Regional de Medicina (CRM) e outros órgãos, não sendo constatada irregularidade na época.

Prisão e medidas cautelares

Olívia foi presa em 7 de julho e solta após pagamento de fiança, cujo valor não foi divulgado. A Justiça determinou o uso de tornozeleira eletrônica, comparecimento quando convocada e proibição de contato com familiares que permanecem presos: sua mãe Rossana Paroschi Jafar e os irmãos Felipe e Giovanni Paroschi Jafar. Outros investigados incluem ex-prefeitos, servidores públicos e empresários. Heyder Bartz, apontado como um dos chefes, está foragido.

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Esquema familiar e 'moeda de troca' na saúde

As investigações indicam que o grupo é uma sucessão familiar do esquema da Operação Lama Asfáltica, sob comando de Rossana. Ed Carlo Britto Burgatt, então coordenador de regulação da Secretaria de Estado de Saúde, usava o cargo para favorecer ou prejudicar municípios conforme interesses da Editora Avante. Os envolvidos forneciam um 'manual' para direcionar contratações por inexigibilidade de licitação, incluindo instruções sobre estudos técnicos, pareceres jurídicos e notas fiscais.

Defesa de Olívia Jafar

A advogada Estella Bauermeister afirmou que a Justiça reconheceu que Olívia 'não integra o núcleo de chefia da organização', fundamentando a substituição da prisão preventiva por medidas cautelares. A defesa destacou que a médica sempre exerceu exclusivamente a medicina, sem função de direção nas empresas investigadas, e que o contrato com a Santa Casa não tem relação com os fatos apurados. 'A análise técnica dos autos evidenciou que Olivia possui situação absolutamente distinta da atribuída aos investigados', diz nota.

Nota da Santa Casa

A Santa Casa de Campo Grande esclareceu que o contrato com Olívia Jafar previa pagamento apenas por plantões efetuados, com emissão de nota fiscal. A instituição reafirmou que não é alvo das investigações e que a contratação seguiu normas legais. 'À época da contratação, toda a documentação exigida foi devidamente apresentada e analisada, não sendo constatada qualquer irregularidade', informou em nota.

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