Justiça obriga Goiânia a apresentar plano contra urubus no aeroporto
Justiça obriga Goiânia a plano contra urubus no aeroporto

A Justiça de Goiás determinou que a Prefeitura de Goiânia apresente e execute imediatamente um Plano de Gerenciamento de Risco Aviário (PGRA) para afastar os urubus que sobrevoam o Aterro Sanitário e ameaçam a segurança das aeronaves no Aeroporto Internacional Santa Genoveva e no Aeródromo Nacional de Aviação. A decisão atende a uma ação civil pública movida pela Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema).

Risco constante de bird strike

De acordo com a Abrema, a colisão de aeronaves com pássaros – conhecida como bird strike – representa um perigo diário na região. O aterro sanitário, localizado a cerca de 2 km do aeródromo, está dentro da Área de Segurança Aeroportuária (ASA), o que agrava o problema. O piloto Luíz Antônio Vieira relatou que os urubus formam verdadeiras “nuvens” no céu, especialmente entre 6 e 7 mil pés de altitude, exatamente na faixa de aproximação final para pouso e logo após a decolagem.

Impactos ambientais e riscos de acidentes

A ação da Abrema também destaca os impactos ambientais no solo, na água e no ar causados pela operação do aterro. Segundo o superintendente executivo da Abrema, André Galvão, a maior parte dos incidentes envolve avistamento ou aproximação de aves, mas colisões podem resultar em pousos forçados, danos à fuselagem, atrasos de voos e até acidentes fatais se os animais forem sugados pelos motores. “Pousos forçados, estragos na fuselagem, atraso de voos e, claro, pode acontecer um acidente maior se os animais se aproximarem dos motores, o que pode gerar mortes em decorrência disso”, explicou.

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Medidas de mitigação e solução definitiva

A Associação Brasileira de Empresas Aéreas sugere medidas como monitoramento da fauna, gestão ambiental com modificação de habitats para torná-los menos atrativos, uso de tecnologias de detecção (radares) e emprego de aves de rapina treinadas, como gaviões, para espantar urubus e carcarás. No entanto, a Abrema defende que a solução definitiva é o fechamento do aterro e a abertura de um novo local, onde o cobrimento dos resíduos ocorra com frequência suficiente para impedir a atração das aves. “Ali não é possível licenciar, segundo a Secretaria de Meio Ambiente de Goiás”, afirmou André Galvão.

O g1 entrou em contato com a Prefeitura de Goiânia para um posicionamento e aguarda retorno. A decisão judicial exige a elaboração e execução imediata do PGRA, com monitoramento sistemático e espantamento das aves, visando reduzir os riscos de acidentes aéreos na região.

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