Justiça do RS inocenta bar Opinião em caso de transfobia
Justiça do RS inocenta bar Opinião em caso de transfobia

Em acórdão unânime da 10ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, proferido em 28 de maio de 2026, os desembargadores inocentaram o Bar Opinião, em Porto Alegre, da acusação de transfobia contra um homem trans. A decisão reformou a sentença de primeira instância, que havia condenado a casa noturna ao pagamento de R$ 10 mil por danos morais.

Falta de provas leva à absolvição

O relator do caso, desembargador Marcelo Cezar Muller, apontou fragilidades e contradições no conjunto probatório, concluindo que não há prova suficiente de que o homem trans tenha sido impedido de usar o banheiro masculino ou submetido a tratamento discriminatório. “O constrangimento relatado não configura, por si só, dano moral indenizável”, destacou o magistrado. Com isso, o colegiado julgou improcedente a ação.

Relembre o caso

Em setembro de 2025, a 4ª Vara Cível do Foro Central de Porto Alegre havia condenado o Bar Opinião a indenizar em R$ 10 mil um homem trans que registrou ocorrência após supostamente ter sido impedido de usar o banheiro masculino por seguranças, durante um evento em agosto de 2023. A decisão de primeira instância apontou que ele teria sido vítima de transfobia.

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O Bar Opinião negou a prática de transfobia, alegando que apenas orientou o homem a usar o banheiro masculino do andar superior, já que os banheiros do térreo teriam sido destinados exclusivamente a mulheres devido ao público majoritariamente feminino. A casa afirmou que “sempre foi um espaço de acolhimento e diversidade”.

Relato da vítima

À época, ao g1, o jovem, que teve a identidade preservada, relatou constrangimento. “Eu me senti desolado, porque nunca tinha passado por isso. Era uma necessidade básica”, contou. O episódio o levou a deixar o evento e, no dia seguinte, publicar um relato nas redes sociais.

Como denunciar

A Delegacia de Polícia de Combate à Intolerância (DPCI) atende ao público para registro de ocorrências dos crimes relacionados à sua área de atuação na Avenida 24 de Outubro, 844, bairro Moinhos de Vento, em Porto Alegre. O horário de atendimento é de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h, sem intervalo. A DPCI possui estrutura especializada no combate aos crimes de intolerância motivados por cor, raça, etnia, religião, procedência, deficiência, orientação sexual ou identidade de gênero, além do enfrentamento a grupos extremistas.

Posicionamento do estabelecimento

O Bar Opinião informou que acompanha o processo e só se manifestará publicamente após o seu trânsito em julgado. Ao longo dos seus 42 anos de história, sempre defendeu e valorizou a diversidade, que é parte fundamental da sua identidade. O estabelecimento reafirmou seu compromisso permanente no combate a qualquer forma de preconceito, intolerância ou discriminação.

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