Justiça do DF mantém condenação de PM por fraude em abastecimento
Justiça do DF mantém condenação de PM por fraude

A Justiça do Distrito Federal, em decisão unânime, manteve a condenação do policial militar José Artur dos Santos pelo crime de estelionato militar, por fraudar o Sistema de Abastecimento de Frota (SAF) da corporação. A pena foi fixada em 2 anos, 4 meses e 24 dias de reclusão, em regime aberto.

Esquema fraudulento no 20º Batalhão

Segundo o processo, entre 2011 e 2016, José Artur atuava como chefe da garagem do 20º Batalhão da Polícia Militar do DF. Ele era responsável pelo abastecimento da frota, pela guarda dos cartões institucionais e pelo controle da quilometragem das viaturas.

De acordo com a denúncia, o policial manipulava o sistema oficial para impedir o bloqueio dos cartões de abastecimento de veículos que já deveriam estar em manutenção. A fraude consistia em inserir quilometragens inferiores às reais, fazendo com que o sistema não bloqueasse os cartões mesmo quando a revisão fosse devida.

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Abastecimentos fictícios e prejuízo milionário

A Justiça apontou que a fraude possibilitava abastecimentos fictícios. Os cartões institucionais eram usados para registrar abastecimentos que não ocorriam de fato, e os valores correspondentes eram convertidos em dinheiro e entregues ao policial. A denúncia estima que o prejuízo aos cofres públicos chegou a R$ 698.815,58.

Testemunhas relataram que os frentistas recebiam previamente do policial informações como senha dos cartões, placas das viaturas, CPF dos condutores e quilometragens que deveriam ser lançadas no sistema, sem conferir se correspondiam aos dados reais dos veículos. Os cartões permaneciam no posto de combustíveis para lançamentos simulados, e os valores eram posteriormente convertidos em dinheiro.

Defesa recorreu, mas justiça manteve pena

A defesa recorreu da condenação alegando insuficiência de provas e pedindo a absolvição do policial. Os desembargadores, no entanto, entenderam que o conjunto de provas produzido durante o processo era suficiente para manter a condenação. O g1 tenta contato com a defesa de José Artur dos Santos.

Em interrogatório, José Artur negou as acusações. Ele afirmou que realizava ajustes nas quilometragens apenas para corrigir falhas do sistema e evitar problemas operacionais, sustentando que as medidas tinham o objetivo de manter as viaturas em funcionamento. A decisão transitou em julgado para o Ministério Público do Distrito Federal em 1º de julho de 2026.

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