Justiça determina redução de superlotação em presídio de Americana em até 90 dias
Justiça dá 90 dias para reduzir superlotação em presídio de Americana

A 1ª Vara Cível de Americana, em São Paulo, determinou que o governo estadual tome providências para reduzir a superlotação e corrigir problemas sanitários e de segurança contra incêndio no Centro de Detenção Provisória AEVP Renat Gonçalves Rodrigues. A decisão foi proferida em caráter liminar e de urgência, atendendo a um pedido do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), que denunciou condições degradantes na unidade.

Unidade abriga quase o dobro da capacidade

De acordo com a ação do MP-SP, o presídio, que tem capacidade máxima de 639 vagas, abrigava 1.190 detentos no momento da inspeção – um excedente de 551 pessoas. Isso representa uma ocupação 86% acima do limite legal. A superlotação, segundo o órgão, agrava riscos à saúde e à integridade física dos presos, além de dificultar o trabalho dos agentes penitenciários.

O promotor Rafael Viana, responsável pela investigação, informou que o Ministério Público foi acionado após a notificação de ao menos sete óbitos de detentos no primeiro semestre de 2026, por causas diversas, incluindo pneumonia. As mortes, segundo ele, podem estar relacionadas às condições insalubres do local.

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Problemas sanitários e de segurança contra incêndio

A inspeção do MP-SP também identificou graves problemas sanitários, como falta de higiene básica, ventilação inadequada e acúmulo de lixo, além de deficiências no sistema de segurança contra incêndio. A promotoria destacou que tais irregularidades colocam em risco a vida dos detentos e dos servidores.

Em resposta, a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) afirmou que a unidade prisional atua "dentro dos padrões de segurança e disciplina" e que estão previstas a instalação de dois novos presídios, que devem criar 1.646 vagas no sistema carcerário paulista.

Prazos e multas estabelecidos pela Justiça

A decisão judicial estabelece prazos distintos para as providências. A redução da superlotação e a correção dos problemas sanitários devem ser concluídas em até 90 dias. Já a regularização do sistema de segurança contra incêndio tem prazo de 180 dias. Caso as medidas não sejam cumpridas, o governo de São Paulo estará sujeito a multa diária de R$ 10 mil, sem possibilidade de justificativa.

A determinação da 1ª Vara Cível de Americana reflete a crescente pressão do Judiciário sobre o sistema prisional paulista, que enfrenta superlotação crônica e condições precárias em várias unidades. A SAP, por sua vez, alega que a construção de novos presídios ajudará a aliviar a situação, mas especialistas apontam que a medida é paliativa e que políticas de redução de encarceramento seriam mais eficazes.

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