Está sendo julgado em Montes Claros, no Norte de Minas Gerais, o advogado acusado de matar a farmacêutica Laureane dos Santos, de 34 anos. O crime ocorreu em Brasília de Minas, em novembro de 2021, e o processo corre em segredo de Justiça. A promotora Maria Cristina Santos Almeida, do Ministério Público, afirmou: “O Ministério Público espera, com certeza, uma condenação. A prova dos autos é clara de que houve feminicídio e também o crime de aborto”.
Mensagens e provas do feminicídio
De acordo com a promotora, mensagens enviadas pelo réu para a vítima indicam que ele manifestava intenção de que a farmacêutica abortasse o bebê que esperava. “Ela nega, ele combina com ela de sair, como se fosse um encontro amoroso normal, e ali desencadeia a tentativa de envenenamento e a esganadura”, detalhou a promotora.
Defesa e expectativa da família
Em nota, o advogado de defesa informou que vai analisar a sentença para decidir se irá recorrer da decisão, levando em conta, entre outros pontos, o tempo de pena fixado. A família de Laureane vive a expectativa de que o homem seja punido quase cinco anos após o crime. A mãe da vítima acompanhou o julgamento e desabafou: “A minha filha era uma pessoa que não perdia um minuto na vida, ela ocupava seu tempo todinho, estava focada nos trabalhos, focada nos estudos. Uma das coisas que ela mais gostava era de estudar. Ela estava se preparando para um concurso e foi tudo por água abaixo, isso é muito triste, é triste demais para mim e para família, nós estamos sofrendo amargamente.”
Ricardo Simões, primo da farmacêutica, também se manifestou: “Que a Justiça seja feita não só por Laureane, mas por todas as mulheres, que a cada dia vêm sendo mortas, torturadas”.
Detalhes do crime
No dia 25 de novembro de 2021, o corpo de Laureane dos Santos foi encontrado em um chacreamento, como disse o delegado Flávio Cavalcante, da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG). “O corpo dela foi encontrado em um bairro afastado da cidade e no momento não havia qualquer suspeita de crime. Os policiais encontraram apenas um líquido arroxeado e outro esbranquiçado e suspeitavam tratar-se de vinho e leite condensado.”
Apesar de inicialmente não haver indícios de assassinato, a perícia da Polícia Civil apontou que a morte foi causada por asfixia por constrição cervical. “A vítima teve seu pescoço apertado, gerando falta de ar até a morte”, explicou Cavalcante.
Investigação e provas contra o suspeito
De acordo com o delegado, o advogado foi indicado como suspeito no dia em que o corpo foi encontrado, mas não havia provas contra ele. Após a abertura do inquérito, os policiais levantaram informações que indicavam seu envolvimento. “No momento do crime, o suspeito apresentou como álibi estar em uma reunião profissional, mas pouco tempo depois ele foi visto comprando quatro cervejas e calibrando o pneu de sua motocicleta em um posto da cidade. Ocorre que nós descobrimos que a reunião que ele alega ter participado, ele saiu dela às 19h. Ele foi para casa, trocou de roupa e se dirigiu a uma sorveteria, onde comprou dois açaís.”
Flávio Cavalcante também ressaltou que vídeos ajudaram a PCMG a identificar o homem como suspeito. “Nós identificamos uma motocicleta saindo da cidade e o condutor da moto estava com uma camisa azul e uma bermuda preta, mesma vestimenta que o suspeito utilizava na sorveteria. Essa motocicleta levava uma passageira que estava com uma blusa amarela e uma calça jeans clara, mesma vestimenta da vítima no local do crime.”
Conforme o delegado, o suspeito foi visto saindo da cidade e indo ao local do homicídio às 21h, retornando às 23h, sem ninguém na garupa. Durante as investigações, a Polícia Civil descobriu que o suspeito comprou venenos em Brasília de Minas na semana anterior ao crime. “Ele comprou um veneno de rato em uma casa agropecuária da cidade. Sem utilizar esse veneno, procurou por um veneno mais forte, capaz de matar gatos, em outra casa agropecuária.”



