Juiz aposentado é extubado após desabamento de ponte no Acre
Juiz é extubado após desabamento de ponte no Acre

O juiz aposentado Edinaldo Muniz, de 54 anos, foi extubado no sábado (13), oito dias após o desabamento da Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, no interior do Acre. Ele permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Pronto-Socorro de Rio Branco.

Evolução clínica positiva

A Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) informou que Edinaldo apresentou evolução clínica positiva nas últimas 24 horas. Segundo a pasta, o juiz deixou de necessitar de ventilação mecânica e passou a respirar espontaneamente.

Conforme a Sesacre, Edinaldo também vem apresentando melhora neurológica progressiva. Ele está acordado e interage gradualmente com a equipe médica. Apesar da evolução, o paciente permanece em estado grave, mas seu quadro é considerado estável e segue sob acompanhamento intensivo da equipe multiprofissional.

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O desabamento

A ponte desabou na noite do dia 5, com quatro pessoas sobre a estrutura. O local estava interditado desde o dia anterior por apresentar risco de desabamento às margens do Rio Iaco. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento da queda.

Edinaldo é uma das quatro pessoas feridas no desabamento. Ele estava fazendo uma transmissão ao vivo no local quando a estrutura desabou e é a única vítima que continua internada.

Altas médicas

Weverton Murieta, de 34 anos, foi o primeiro dos sobreviventes a receber alta médica. Na terça-feira (9), foi a vez do advogado Edinei Muniz, de 51 anos, deixar o hospital. Na quinta-feira (11), Antônio Morais Lima Filho, de 36 anos, recebeu alta do Pronto-Socorro de Rio Branco após passar por cirurgia ortopédica e retirar um dreno torácico. Ele já retornou a Sena Madureira, onde deve continuar a recuperação em casa.

Bens da construtora bloqueados

Na sexta-feira (12), a Justiça do Acre determinou o bloqueio de bens da Construtora Cidade, responsável pela construção da ponte. A medida atende a uma ação cautelar antecedente com pedido de tutela de urgência apresentada pelo Ministério Público do Acre (MP-AC) na Vara Cível de Sena Madureira. O objetivo é garantir recursos que possam ser utilizados na reparação dos danos causados pelo desabamento.

O bloqueio foi fixado em até R$ 36 milhões, valor correspondente ao custo da obra. A decisão também manteve a suspensão de contratos e pagamentos do governo estadual à empresa, medida adotada pelo Estado desde o sábado (6).

Além disso, a Justiça determinou a preservação de documentos e provas relacionados à construção da ponte, incluindo projetos, relatórios de fiscalização, medições e demais registros técnicos. O Estado também deverá apresentar, em até 15 dias, as apólices de seguro da obra e informações sobre eventual comunicação do sinistro à seguradora.

Investigações e prazos

Outra determinação estabelece prazo de 30 dias para a apresentação do laudo oficial sobre as causas do desabamento, além do laudo de dano ambiental elaborado pelo Instituto de Meio Ambiente do Acre. No mesmo prazo, a construtora e o Estado deverão apresentar um plano de trabalho com cronograma para a retirada dos escombros e reconstrução da ponte. O governo também deverá detalhar ações emergenciais para garantir a manutenção da Estrada Mário Lobão.

Entenda o caso

A Ponte Frei Paolino Baldassari foi inaugurada em 19 de dezembro de 2023 e tinha 232 metros de extensão. Executada pela construtora Cidade Ltda, a obra custou mais de R$ 36 milhões. Conforme o Corpo de Bombeiros, a parte da estrutura que ruiu corresponde a 60% da extensão, cerca de 139 metros.

A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar as causas do acidente, enquanto o Ministério Público do Acre (MP-AC) abriu procedimento e solicitou uma perícia ao DNIT para verificar se houve falhas no projeto, na execução da obra ou nos materiais utilizados.

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Após o desabamento, a Justiça determinou que a Construtora Cidade Ltda., responsável pela obra, adotasse medidas emergenciais para reduzir os riscos à população, sob pena de multa diária. A empresa informou que havia identificado rachaduras e movimentações no solo dias antes do acidente e recomendado a interdição da ponte. Segundo a construtora, o desabamento foi provocado pelo fenômeno conhecido como "terras caídas", processo de erosão das margens dos rios comum na região amazônica.