Heloísa, uma jovem de 24 anos formada em Biomedicina e funcionária de um banco, trava uma batalha judicial para retirar o nome da mãe, Patrícia Alves Duque, de todos os seus documentos civis. A ação, que já resultou na alteração de prenome e exclusão do sobrenome materno, busca agora eliminar completamente qualquer vínculo legal com a maternidade, que ela classifica como traumática. Em entrevista ao Fantástico, Heloísa relatou ter sido vítima de violência física, negligência e omissão diante de abusos sexuais durante a infância e adolescência.
Mãe nega acusações e atribui conflito a desejo de morar com o pai
Patrícia Alves Duque, em entrevista por telefone, negou todas as acusações feitas pela filha. Disse não se opor ao pedido de retirada do nome dos documentos: “Por mim tudo bem, ela sempre quis isso”. Questionada sobre a origem do rompimento, Patrícia afirmou que os conflitos começaram na infância e que Heloísa “inventou uma história sobre mim e minha mãe para querer morar com o pai dela”. Ela também rejeitou a acusação mais grave de ter recebido dinheiro de homens que abusaram sexualmente dela e das irmãs: “Quem é a mãe que vai vender a filha por 50 reais, 20 reais? Isso daí é invenção da Larissa”.
Relato de incêndio e denúncias desde a infância
Entre os episódios narrados por Heloísa está o de que a mãe teria colocado fogo na cama onde ela estava aos cinco anos. Patrícia negou a intencionalidade, mas admitiu que um cigarro pode ter provocado um incêndio acidental: “Eu estava fumando e deixei o cigarro cair na cama”. Documentos do Conselho Tutelar mostram que Heloísa, ainda aos 11 anos, procurou ajuda para relatar agressões contra ela e os irmãos. Anos depois, uma denúncia em redes sociais levou o Ministério Público a investigar casos de violência sexual. Dois homens citados por ela foram julgados e condenados em primeira instância. Na época, Patrícia foi ouvida apenas como testemunha.
Nova denúncia e medida protetiva em 2025
Em 2025, Heloísa apresentou nova denúncia contra a mãe, acusando-a de violência doméstica, conivência com abusos sexuais e perseguição. A Justiça concedeu medida protetiva determinando que Patrícia mantenha distância mínima de 500 metros da filha. O caso está sob investigação policial. Segundo o inquérito, a mãe ainda não foi ouvida formalmente por não ter sido localizada pelas autoridades.
Disputa judicial pelo registro civil
No ano passado, Heloísa obteve autorização judicial para alterar seu prenome de Larissa para Heloísa e retirar o sobrenome materno. No entanto, o pedido para eliminar completamente o nome da mãe dos registros civis foi negado. O magistrado reconheceu a gravidade dos abusos relatados, mas entendeu que não há previsão legal para apagar a maternidade dos documentos. A defesa de Heloísa recorreu e aguarda nova análise. Emocionada, a jovem afirmou que a retirada definitiva do nome da mãe representa uma etapa importante de reconstrução: “Quero me livrar disso”.



