Irmã de vítima de sargento da Marinha relata crime em Betim
Irmã de vítima relata crime de sargento da Marinha

A irmã de Carlos Alberto dos Santos, de 61 anos, assassinado a tiros na terça-feira (14) em um condomínio na zona rural de Betim, Região Metropolitana de Belo Horizonte, detalhou como ocorreu o crime. O suspeito, Guilherme Augusto Rodrigues Martins, de 33 anos, terceiro-sargento reformado da Marinha, foi preso em flagrante e já havia sido interditado judicialmente em 2021 por incapacidade mental.

Decisão judicial de interdição em 2021

O g1 teve acesso à sentença da 1ª Vara de Família, Sucessões e Ausência da Comarca de Betim, de 30 de setembro de 2021, que declarou Guilherme incapaz de exercer pessoalmente atos da vida civil e nomeou a mãe como curadora. O laudo pericial apontou que ele apresenta quadro permanente de saúde mental, incluindo síndrome de burnout, psicose não orgânica, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e esquizofrenia paranoide. O documento descreve que o militar sofreu um surto psicótico com alucinações e delírios, e que, em decorrência disso, cometeu homicídio contra um desconhecido, resultando em prisão de cinco anos.

Curadoria e dependência materna

O juiz determinou que a mãe de Guilherme o represente em questões patrimoniais e financeiras, como movimentação de contas bancárias, venda de bens e contratação de empréstimos. O estudo social anexado ao processo indica que a mãe é a principal cuidadora, descrevendo o filho como "limitado, introvertido e dependente". O Ministério Público manifestou-se favoravelmente à interdição.

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Transferência para a reserva em 2024

Segundo o Portal da Transparência do Governo Federal, Guilherme foi transferido para a reserva da Marinha em 18 de junho de 2024 por motivo de doença, quase três anos após a decisão judicial que o considerou incapaz. O g1 questionou a Marinha sobre a permanência no cargo durante esse período.

Detalhes do homicídio

A irmã da vítima, em entrevista, contou que Carlos Alberto havia registrado cinco boletins de ocorrência contra Guilherme devido a desentendimentos que duravam cerca de dois anos. No dia do crime, a esposa de Carlos Alberto estava na cozinha quando ouviu cinco disparos. Ao encontrar o marido baleado, ele ainda conseguiu apontar o autor. O suspeito alegou legítima defesa. A Polícia Civil realizou perícia, recolheu vestígios e lavrou o Auto de Prisão em Flagrante. A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) informou que Guilherme não tinha passagens pelo sistema prisional mineiro nem estava custodiado. O caso segue sob investigação.

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