Polícia indicia mulher por envenenar artesã com mercúrio no Recife
Indiciada por envenenar artesã com mercúrio no Recife

A Polícia Civil de Pernambuco concluiu, nesta terça-feira (21), o inquérito sobre o envenenamento da artesã Denny Cardoso, ocorrido no Recife. Maria Aparecida Rodrigues de Araújo foi indiciada por tentativa de homicídio, após ser flagrada colocando mercúrio na garrafa de água da vítima. O crime teria sido motivado por ciúmes, conforme a principal linha de investigação.

Investigação durou mais de um ano

O caso começou a ser investigado em junho de 2025, quando Denny procurou a polícia desconfiando que estava sendo envenenada. Ela própria gravou imagens da suspeita adulterando sua garrafa de água. Laudos periciais confirmaram a presença de mercúrio na água e no organismo da vítima. Mesmo com essas evidências, o inquérito levou mais de um ano para ser concluído.

O delegado José Custódio, responsável pelo caso, afirmou que a investigação reuniu um amplo conjunto de provas, incluindo perícias químicas, exames toxicológicos e avaliações de múltiplas especialidades médicas. "Esse inquérito foi concluído ontem, já está com o Ministério Público, a quem cabe analisar um possível indiciamento", declarou.

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Suspeita nega crime apesar de filmagens

Maria Aparecida, mesmo aparecendo nas imagens colocando a substância na garrafa, negou o crime. Segundo o delegado, ela alegou que não era ela nas filmagens, embora o rosto seja claramente visível. "Ela desconsiderou, negou tudo, disse que não foi ela que colocou qualquer substância na garrafa, mas aí vocês percebem que a filmagem é clara", afirmou Custódio.

A defesa da suspeita foi procurada, mas optou por não se pronunciar sobre o indiciamento.

Motivação torpe e qualificadora

A polícia incluiu a qualificadora de motivo torpe, já que o crime teria sido motivado por ciúmes da amizade entre a vítima e o namorado da suspeita. O inquérito agora está com o Ministério Público de Pernambuco (MPPE), que analisará as provas e decidirá se oferece denúncia à Justiça.

O delegado destacou a complexidade da investigação: "Foram várias perícias, vários laudos médicos necessários para que a gente tivesse uma maior robustez no inquérito. Além disso, os legistas entenderam a necessidade de fazer solicitações a outras especialidades médicas".

Detalhes do envenenamento

Denny Cardoso começou a apresentar sintomas de intoxicação por mercúrio, como dores abdominais e transtornos neurológicos, após usar uma garrafa de água presenteada pela própria suspeita. As filmagens, feitas em junho de 2025, mostram Maria Aparecida cortando papel com tesoura, depositando o conteúdo na água e agitando a garrafa.

A artesã frequentava um projeto social no Hospital Universitário Oswaldo Cruz, onde a suspeita também participava como aluna, acompanhando o filho em tratamento. O envenenamento durou de seis meses a um ano, com a vítima sendo exposta ao mercúrio repetidamente.

Consequências e tratamento

Exames de sangue de Denny revelaram 21 mg de mercúrio, cerca de quatro vezes acima do limite tolerável. O metal, altamente tóxico e proibido em termômetros no Brasil desde 2019, pode causar danos graves ao cérebro e a órgãos como rins e intestino. A vítima enfrentou dificuldades para conseguir atendimento especializado pelo SUS, mas após a repercussão do caso, a Secretaria Estadual de Saúde agendou uma consulta com neurocirurgião.

Agora, o Ministério Público tem a palavra final: pode oferecer denúncia, pedir novas diligências ou arquivar o caso. Não há prazo para a decisão.

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