A Polícia Civil concluiu, nesta quarta-feira (1º), o segundo inquérito sobre a morte da jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante um salto de rope jump na Ponte do Esqueleto, entre Limeira (SP) e Cordeirópolis (SP). Ao término das investigações, Evelyne dos Santos Gonçalves, de 43 anos, foi formalmente indiciada pelos crimes de homicídio qualificado e fraude processual. A polícia solicitou a conversão de sua prisão temporária em prisão preventiva.
Detalhes da investigação
O rope jump é uma modalidade que utiliza cordas estáticas, sem elasticidade, e após a queda faz um movimento de balanço, como um pêndulo. Diferentemente do bungee jump, onde a corda elástica permite quicar. A polícia sustenta que Evelyne, como organizadora e administradora do evento, tinha o dever jurídico de evitar o resultado, assumindo o risco ao manter a atividade em condições precárias.
Além disso, a polícia pediu a revogação do pedido de prisão de outros dois suspeitos presos posteriormente, João Antonio Pivetta Ribeiro da Silva e Gabriel Barros Martins, e aguarda o posicionamento da Justiça. A investigação prossegue quanto ao paradeiro da câmera utilizada pela vítima durante o salto, considerada essencial para a reconstrução do caso.
Primeiro inquérito e prisões iniciais
No primeiro inquérito, concluído em 22 de junho, três homens foram presos em flagrante no dia da tragédia, 13 de junho. Eles são os instrutores que aparecem em um vídeo lançando Maria Eduarda da ponte a 40 metros de altura: Luis Felipe Feliciano Egoroff, de 32 anos; Maicon Fernandes Cintra, de 42 anos; e Vitor de Freitas Gonçalves, de 27 anos. Todos tiveram a prisão convertida em preventiva e foram transferidos para o CDP II de Guarulhos (SP) para proteção de sua integridade física, conforme informou o advogado Rafael Gomes dos Santos. A Justiça negou pedido de habeas corpus na semana passada. Cerca de 21 pessoas foram ouvidas nesse inquérito.
Novas prisões e suspeitas de fraude processual
Em 20 de junho, a polícia prendeu temporariamente mais três pessoas, que integravam a equipe responsável pela organização e execução da atividade: Evelyne dos Santos Gonçalves, de 29 anos, no Rio de Janeiro (RJ), responsável pela empresa informal que realizava os saltos; João Antonio Pivetta Ribeiro da Silva, de 35 anos, de Limeira; e Gabriel Barros Martins, de 30 anos, de Indaiatuba (SP). Eles são suspeitos de apagar conteúdos digitais relevantes e de desaparecer com a câmera que gravava o salto, presa à vítima. A delegada Andréa Levy afirmou: “No curso das apurações, foram reunidos elementos que indicam possível supressão de provas relevantes para a investigação, especialmente relacionadas ao desaparecimento do equipamento de captação de imagens utilizado pela vítima durante o salto.”
Há ainda duas outras pessoas relacionadas a este segundo inquérito que acompanham as investigações em liberdade. Assim, o total de pessoas presentes na ponte com vínculo com o grupo “Entre Cordas” chega a oito: três presos em flagrante, três presos em 20 de junho e duas em liberdade.
Defesas dos investigados
A defesa de Evelyne afirmou que ela tem colaborado desde o início com as investigações. O advogado Vitor Aurélio, que defende um dos homens presos em 20 de junho, declarou: “Eles não tiveram função típica ou ativa no salto. Eles só participaram no momento em que terminava aquele salto. Então, um puxava a corda de volta para cima e outro apenas tirava a corda do participante do salto. Os dois prestaram socorro, ajudaram a desatolar carro de bombeiro e polícia.” Ele acrescentou que um deles viu a câmera na vítima após a queda, mas não a removeu.
Novas imagens e reações
A EPTV, afiliada da Globo, teve acesso a imagens inéditas de um novo ângulo que mostram o momento do salto e a reação das pessoas no local. Poucos segundos após a jovem ser arremessada, ouve-se alguém dizer: “Gente, a corda!” e outra voz: “Não, não, para. Não, gente, para. Como assim, a corda arrebentou?”. As imagens corroboram a gravidade do ocorrido.
Medidas judiciais e buscas
A Justiça autorizou buscas e apreensões nos endereços dos investigados, incluindo celulares e equipamentos eletrônicos. A SSP-SP informou que a investigação apura crimes dolosos contra a vida, na modalidade de dolo eventual, além de possível fraude processual. O caso continua sob análise, e a polícia aguarda decisão sobre a prisão preventiva de Evelyne.



