A Polícia Civil do Distrito Federal decidiu não instaurar inquérito sobre a morte de Vilmar Pereira da Silva, de 49 anos, ocorrida na antessala da Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) do Recanto das Emas. Segundo a corporação, a investigação concluiu que Vilmar morreu de causas naturais, e o caso foi arquivado.
Morte na recepção
Vilmar morreu na recepção da unidade em junho deste ano, após permanecer no local por pelo menos quatro horas, segundo testemunhas. Imagens enviadas à TV Globo mostram o homem sentado em uma cadeira de rodas, com os braços e a cabeça caídos. A morte foi identificada por outros pacientes e acompanhantes que aguardavam atendimento.
"Apalpei ele no pescoço e vi que não tinha mais pulso. Logo eu alarmei, falei 'ó, tá morto'. Veio um profissional [da UPA] e disse que não estava morto, entrou e ficou por lá", relatou a enfermeira Mayela Lima, que estava no local com a filha.
Investigação e sindicância
Outra imagem mostra o momento em que uma equipe da Polícia Militar do DF isola a área com o corpo ainda na cadeira de rodas. Após a repercussão, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal determinou a abertura de uma sindicância para apurar as circunstâncias da morte. O secretário de Saúde do DF, Juracy Cavalcante, afirmou que informações preliminares apontavam que Vilmar "costumava pernoitar no local".
A UPA do Recanto das Emas é administrada pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF), entidade criada pelo governo do DF.
Sem ficha de atendimento
Segundo o Iges-DF, Vilmar não tinha ficha de atendimento aberta na UPA no dia da morte e não havia passado pela classificação de risco nem por avaliação assistencial. Em nota divulgada em 21 de junho, a Secretaria de Saúde disse que não seria "admitido e nem aceito qualquer indício de omissão ou ausência de atendimento a qualquer cidadão que busque assistência em nossa rede de saúde".
"Embora [o paciente] não tenha sido registrado como paciente da unidade no momento do ocorrido, é fundamental esclarecer todos os fatos e verificar se os protocolos adotados foram adequados", afirmou a pasta.



