O senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) protocolou no Supremo Tribunal Federal (STF) a notícia-crime que havia prometido contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O documento solicita a abertura de inquérito para apurar se o presidente cometeu os crimes de ameaça e incitação ao crime. Procurado, o Palácio do Planalto não se manifestou até o momento.
Origem do caso
A controvérsia teve início no discurso de Lula na última terça-feira, 2, durante a inauguração do campus Catalão do Instituto Federal Goiano. Na ocasião, o presidente chamou Flávio de “vendilhão da pátria” e “traidor”.
Conteúdo da notícia-crime
A notícia-crime considera como ameaça a declaração de Lula: “por menos do que isso, Joaquim Silvério dos Reis, que delatou Tiradentes foi enforcado. O que merecem os traidores da pátria que vão pedir intervenção de um país no nosso?”. O documento também registra um erro histórico de Lula: Joaquim Silvério dos Reis não foi enforcado; quem foi executado foi Tiradentes. “Inverteu os papéis de sua própria parábola, atribuindo a quem ‘traiu’ o destino que, na realidade, coube a justamente a quem foi traído, confundindo o herói com o vilão da história”, afirma o texto assinado pelo escritório Tracy Reinaldet Advogados Associados.
Impacto nas redes sociais
Os advogados apontam que, nas 24 horas seguintes ao discurso, foram identificadas mais de 1.600 postagens no X contendo supostas ameaças contra Flávio Bolsonaro e seus familiares, com termos como “matar”, “fuzilar”, “esfaquear” e “atentados”. Outras 500 postagens continham ameaças veladas ou incitações à violência. O conjunto de publicações teria alcançado mais de 14 milhões de visualizações, 900 mil curtidas e quase 200 mil compartilhamentos.
Contexto de violência política
A peça cita casos recentes de violência política no Brasil e no mundo, como o assassinato do senador colombiano Miguel Uribe Turbay (junho de 2025), o homicídio do ativista norte-americano Charlie Kirk (setembro de 2025), e as tentativas de assassinato de Donald Trump, Cristina Kirchner e Luis Arce. No Brasil, entre janeiro de 2016 e setembro de 2020, 68 políticos foram assassinados e 57 sofreram atentados. A defesa também destaca a facada em Jair Bolsonaro em 2018. “O que, em outros contextos, poderia ser apenas figura de retórica, no presente caso é como fagulha lançada sobre palha seca”, conclui o documento protocolado na quinta-feira, 4.



