O filho do ex-prefeito cassado de Choró, Bebeto Queiroz, foi preso nesta quarta-feira (24) em flagrante por suspeita de lavagem de dinheiro. A captura ocorreu durante uma operação conjunta do Ministério Público Eleitoral e da Polícia Federal para cumprir mandados de busca e apreensão. Documentos apreendidos serão analisados pelos órgãos.
Foragido desde 2024
Bebeto Queiroz, eleito prefeito de Choró em 2024, não tomou posse. Foi preso em novembro de 2024 por suspeita de fraudes em contratos de abastecimento de veículos da prefeitura. Solto no início de dezembro, a Justiça expediu novo mandado de prisão por outros crimes dias depois. Desde então, está foragido. Em abril de 2025, a Justiça Eleitoral cassou sua chapa, decisão mantida pelo TRE-CE em agosto. Nova eleição ocorreu em 1º de março.
Esquema de fraudes e emendas
Relatório da PF de janeiro de 2026 revelou esquema de negociação de emendas parlamentares, fraudes a licitações e financiamento ilegal de campanhas em diversos municípios cearenses. O grupo seria liderado por Bebeto e pelo deputado federal Júnior Mano (PSB). Bebeto intermediava a destinação das emendas de Júnior Mano para prefeituras alinhadas, cobrando uma “taxa” de 12% a 15% do recurso. Empresas ligadas ao grupo desviavam recursos para enriquecimento ilícito e compra de votos. Após eleições, essas empresas obtinham contratos nas prefeituras aliadas.
A defesa de Bebeto afirmou, em março, que só se manifestaria nos autos. A assessoria de Júnior Mano disse que a investigação “nada encontrou de relevante” e lamentou o “vazamento seletivo”.
Movimentação financeira
Análise da CGU em 2025 apontou que nove empresas suspeitas receberam cerca de R$ 455,5 milhões de prefeituras cearenses entre janeiro de 2023 e janeiro de 2025. O relatório cita pelo menos dez empresas envolvidas. O grupo enviava milhares de reais via Pix e sacava dinheiro vivo. A PF não conseguiu ouvir Bebeto, foragido, o que “reforça a ideia de que sua evasão está diretamente ligada à tentativa de obstrução da investigação”. O mandado de prisão contra Carlos Alberto Queiroz (Bebeto) segue válido em todo o país.



