Fila de cirurgias ortopédicas no SUS em Campinas chega a 4.622 pacientes
Fila de cirurgias ortopédicas no SUS em Campinas chega a 4.622

A fila de espera por cirurgias ortopédicas eletivas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Campinas (SP) atingiu 4.622 pacientes, de acordo com dados oficiais. O número representa um aumento de 24% em sete meses, gerando sofrimento e angústia entre os que aguardam por procedimentos que podem devolver qualidade de vida.

A aposentada Maria Odete de Moraes, que precisa de uma prótese no quadril para aliviar as dores da artrose, desabafa: "É sufocante, dá um desespero na gente". Sem saber sua posição exata na lista, ela relata que a mobilidade dentro de casa está cada vez mais limitada. "Às vezes, mesmo com a bengala, eu acabo me apoiando ainda nos móveis e vou fazendo. Não tem como mais, sabe? É muita dor", conta.

O que são cirurgias eletivas

Cirurgias eletivas são procedimentos médicos planejados, sem caráter de urgência ou emergência. Por serem programadas, dependem de agendamento prévio e disponibilidade na rede de saúde. A demora excessiva, no entanto, pode agravar o quadro clínico dos pacientes.

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Diante da situação, o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) ingressou com uma ação na Justiça para obrigar o poder público a apresentar um plano emergencial de redução da fila. O MP-SP pede que o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) determine, em até 45 dias, a elaboração de um cronograma conjunto entre município e estado.

Medidas exigidas pelo MP-SP

O plano emergencial solicitado pelo MP-SP inclui: atendimento em até 30 dias para quem espera há 48 meses ou mais; em até 90 dias para quem espera há 20 meses ou mais; aumento da produção cirúrgica, com mutirões e contratação de serviços privados, se necessário; fixação de prazo máximo de 20 meses para cirurgias futuras; e transparência na fila, com sistema público que permita ao paciente consultar sua posição e o tempo médio de espera, em até 90 dias.

Ao final do processo, o MP-SP pede a condenação solidária dos réus para que elaborem um plano estrutural em 60 dias, com diagnóstico detalhado da rede e metas mensais de redução da fila, garantindo que a produção cirúrgica supere o ingresso de novos pacientes. Também requer monitoramento judicial com relatórios semestrais e audiências de acompanhamento.

Depoimentos de pacientes

A agente comunitária de saúde Edite Shiavon aguarda uma cirurgia no menisco no Hospital Mário Gatti desde março do ano passado. Com artrose, ela está com o joelho inchado e precisou mudar a forma de trabalhar. "Estou com várias restrições agora e estou trabalhando sentada. A perna continua doendo, a dor é constante quase", diz. A espera traz incertezas: "Eu convivo com muita esperança, mas com muita ansiedade. Eu tenho medo de parar numa cadeira de roda, porque eu estou cada dia pior. É desesperador", lamenta.

Posição da Prefeitura de Campinas

A Prefeitura de Campinas informou que vai acionar a Justiça para pedir a atualização da Tabela SUS Nacional, alegando que os valores estão defasados e não cobrem os custos reais dos procedimentos, especialmente na ortopedia. O município defende maior participação da União e do Estado no financiamento da saúde pública. Segundo a Prefeitura, entre 2023 e 2026, o SUS Municipal realizou 79.896 cirurgias, das quais 16.957 ortopédicas. No entanto, cerca de dois terços das cirurgias ortopédicas no período foram de urgência, principalmente por traumas, que utilizam os mesmos leitos e equipes dos procedimentos eletivos.

A Prefeitura destaca que Campinas é referência regional em urgência e emergência, atendendo entre 20% e 25% de pacientes de outros municípios da Região Metropolitana. A administração municipal reafirma seu compromisso com a redução das filas e defende a atualização da Tabela SUS e um financiamento mais equilibrado.

Resposta do governo estadual

A Secretaria Estadual da Saúde afirmou que tem ampliado a oferta de atendimentos na região de Campinas, com abertura ou reativação de mais de 650 leitos nos últimos anos, apoio do programa SUS Paulista e construção do Hospital Metropolitano. Ressaltou que a gestão das filas municipais é responsabilidade das prefeituras.

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Nota da Rede Mário Gatti

A Rede Mário Gatti informou que todos os pacientes com indicação de cirurgia ortopédica são acompanhados por equipes médicas e inseridos na fila de espera, cuja gestão segue critérios técnicos. As cirurgias são realizadas conforme disponibilidade e classificação clínica, com prioridade para urgência e emergência. A ordem de convocação considera tempo de espera e condição clínica, podendo ser alterada em caso de mudança no quadro de saúde. A rede afirma manter acompanhamento permanente da fila e trabalha para ampliar a capacidade de atendimento.