Fazendeiro condenado por ameaçar vizinhos em Ribeirão Preto
Fazendeiro condenado por ameaças a vizinhos em Ribeirão Preto

A Justiça de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, condenou o fazendeiro Alípio João Júnior a dez meses de prisão em regime aberto por ameaçar vizinhos do prédio onde morava, localizado no Centro da cidade. As denúncias contra o morador foram formalizadas em julho de 2025. O Ministério Público classificou o réu como um perigo à sociedade.

Decisão judicial e provas

O juiz José Otávio Ramos Barion, da 5ª Vara Criminal de Ribeirão Preto, fundamentou sua sentença com base nos depoimentos das vítimas, no relato do porteiro do edifício e em laudos periciais que confirmaram a violência empregada pelo acusado. A defesa tentou argumentar falta de provas e ausência de dolo, mas o magistrado considerou que o histórico de agressividade do fazendeiro era suficiente para a condenação.

Detalhes do crime

Na ocasião das ameaças, Alípio tentou invadir o apartamento de um casal vizinho, quebrando a porta enquanto proferia ameaças. Na sentença, o juiz enfatizou que o abalo psicológico causado às vítimas e a invasão do sossego doméstico justificavam uma punição mais rigorosa. Apesar da condenação, o magistrado concedeu a Alípio a suspensão da pena de detenção pelo prazo de dois anos, sob condições específicas: prestação de serviços à comunidade no primeiro ano, proibição de frequentar determinados lugares e comparecimento mensal em juízo.

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Outros crimes e prisão preventiva

Alípio Júnior pode recorrer da sentença em liberdade, mas atualmente encontra-se preso preventivamente desde julho de 2025 devido a outras denúncias de vizinhos, o que inviabiliza sua saída da cadeia. Em uma das gravações enviadas ao síndico do condomínio, o fazendeiro afirmou que poderia mandar matar a filha do síndico e explodir o apartamento de um vizinho por causa do barulho de uma criança. As ameaças foram registradas em áudio: "Se ele der uma batida hoje, vou explodir o apartamento dele. Se você der parte de mim, eu mando matar tua filha. Você tem filha, mulher. Cuida da tua família. Vou explodir duas dinamites lá. Prova que fui eu, fica lá filmando. Se você não mandar a multa que você me mandou para ele, em 30 dias, eu mando queimar você com tua filha dentro do seu carro."

Em outro áudio, o fazendeiro disse que estava acostumado a matar pessoas e que era amigo de autoridades: "Tenho dinheiro. Eu mando fazer. Profissional da polícia. Você tem? Eu sou fazendeiro do Pará. Mato gente desde o dia em que você nasceu. Sou 'assim' com a Polícia Civil, Federal, juiz aposentado. Você baixou aqui no meu apartamento com 30 homens, vocês quase foram presos."

Tiros em shopping

Mais condutas criminosas ajudaram o Ministério Público a pedir a prisão preventiva do fazendeiro. Em junho de 2024, ele atirou em um segurança de shopping com uma arma de pressão após perder o ticket do estacionamento e a cancela não liberar sua saída. Imagens de câmeras de segurança registraram Alípio gritando e sacudindo a cancela, forçando a abertura. Em seguida, ele abriu a porta do banco de trás da caminhonete, pegou a arma, apontou para o funcionário e atirou. Um motorista que estava atrás também gravou a cena. O tiro atingiu a virilha do segurança, que precisou de atendimento médico. Alípio guardou a arma no veículo e fugiu.

O Ministério Público pediu a prisão preventiva por entender que o fazendeiro representa perigo para as pessoas. O promotor de Justiça Paulo José Freire Teotônio, que acompanha o caso, afirmou que Alípio não poderia estar vivendo em sociedade. O MP também solicitou que ele fosse submetido a um exame médico-legal para avaliação de incidente de insanidade mental. A audiência de instrução do caso está marcada para agosto. A defesa do réu não se manifestou sobre a sentença até a última atualização desta matéria.

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