Famílias contestam nota da Prefeitura de São Luís sobre mortes no Hospital da Criança
Famílias contestam nota da prefeitura sobre mortes no Hospital da Criança

Famílias de crianças que morreram após serem atendidas no Hospital da Criança Odorico Amaral de Matos, em São Luís, contestam informações divulgadas pela prefeitura sobre os casos. Segundo os pais, a nota oficial apresenta dados incorretos sobre o estado de saúde dos filhos, a forma como chegaram à unidade e as circunstâncias das internações.

Mãe de gêmeos nega versão da prefeitura

Entre os casos citados na nota estão os dos gêmeos Bento e Bernardo, de quatro meses. Eles deram entrada no hospital em 27 de junho com sintomas gripais, foram diagnosticados com bronquiolite e morreram dias depois. A prefeitura afirma que Bento foi transferido de ambulância de Rosário em estado gravíssimo. A mãe, Carla Samila dos Santos, nega: “A nota é totalmente mentirosa. A gente saiu de carro próprio e foi direto para São Luís. Meu filho não estava em estado grave quando chegou. Ele agravou lá no hospital.” A Prefeitura de Rosário também desmentiu o transporte.

Prematuridade é citada, mas mãe rebate

A prefeitura destacou que os irmãos nasceram prematuros. Carla Samila contesta: “Meus filhos eram meninos saudáveis, não viviam doentes.” Ela afirma que Bernardo chegou apenas com sintomas gripais, não com pneumonia, como consta na nota. Bento sofreu duas paradas cardiorrespiratórias e morreu; Bernardo faleceu 24 horas depois.

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Família de Otto contesta cuidados paliativos

Otto, de nove meses, morreu após 17 dias internado. A prefeitura menciona doença degenerativa e cuidados paliativos. A mãe, Leyciane Barbosa, afirma: “A condição dele não teve culpa. A negligência do hospital é que teve culpa.” O pai, André, explica que os cuidados paliativos visavam conforto e tratamento, não indicavam morte iminente. A família relata falta de materiais, como sondas e anticonvulsivante de R$ 600, que precisaram comprar.

Auditoria do Ministério da Saúde

Na terça-feira (14), técnicos do Departamento Nacional de Auditoria do SUS (DenaSUS) estiveram no hospital para apurar denúncias. A inspeção é coordenada pelo diretor Rafael Bruxellas. O relatório final deve sair nos próximos dias. O MP-MA, MPF e Polícia Federal também investigam.

Aumento de 159% nas mortes em UTIs

Documentos apontam 113 mortes em 2025, 101 nas UTIs, um aumento de 159% em relação a 2024 (39 óbitos). A prefeitura contesta, informando 112 mortes em 2024 e 117 em 2025. No entanto, o DataSUS registra apenas 31 mortes em 2025, divergência de 86 óbitos. Profissionais denunciam subnotificação.

Redução da equipe médica

Médicos relatam que, a partir de outubro de 2025, o número de profissionais nas UTIs caiu de 53 para 3 por plantão, muitos sem especialização em pediatria. A mudança ocorreu após a contratação do IBMED. A Defensoria Pública pediu a anulação do contrato, e o MP investiga.

O que dizem as autoridades

A Prefeitura de São Luís nega desabastecimento generalizado e afirma que as mortes não tiveram aumento expressivo (4,5% entre 2024 e 2025). O CRM acompanha o caso. O MPF recebeu a denúncia. O Ministério da Saúde realiza auditoria.

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