Família cobra julgamento um ano após morte de assessora no AC
Família cobra julgamento um ano após morte de assessora

Um ano após a morte da assessora jurídica do Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC), Juliana Chaaar Marçal, de 36 anos, a família voltou a cobrar justiça pelo caso. Os familiares instalaram um outdoor na Avenida Getúlio Vargas, em Rio Branco, para pedir que os responsáveis sejam levados a julgamento.

Contexto do crime

Juliana foi atingida por uma caminhonete na madrugada do dia 21 de junho de 2025. A polícia foi acionada, inicialmente, em razão de disparos feitos em via pública que teriam sido feitos pelo advogado Keldheky Maia, amigo dela. Ele foi preso, mas a Justiça concedeu liberdade provisória. A servidora morreu horas depois no Pronto-Socorro de Rio Branco e o suspeito pelo atropelamento, Diego Luiz Gois Passos, de 27 anos, teve a prisão decretada no dia 23 de junho. Ambos respondem pela morte dela em liberdade provisória.

Manifestação da família

Ao g1, o advogado Vandré Prado, primo de Juliana, disse que o outdoor tem como objetivo manter a memória dela e cobrar que o processo avance. Segundo ele, a passagem de um ano desde a morte da assessora, sem que os acusados tenham sido julgados, aumentou a sensação de injustiça. “[...] A gente vive um momento onde tantas mulheres morrem todos os dias vítimas de violência e a gente não gostaria que a Juliana fosse mais uma”, afirmou.

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Conforme Vandré, a família confia no trabalho feito pela Polícia Civil e no Poder Judiciário, mas considera que a demora para que o julgamento aconteça prolonga o sofrimento dos familiares. “Já se passou um ano da tragédia que acometeu a nossa família e até hoje, infelizmente, os responsáveis pelo acontecido não foram a julgamento. A família confia na Justiça, confia no Poder Judiciário, no trabalho que foi feito pela Polícia Civil, mas a gente precisa que a Justiça seja feita”, declarou.

Andamento do processo

O g1 também conversou com o advogado Carlos Venicius Ferreira Ribeiro Júnior, contratado pela família de Juliana para atuar como assistente de acusação junto ao Ministério Público (MP-AC). De acordo com ele, a audiência de instrução e julgamento já foi feita e o processo tramita na 2ª Vara do Tribunal do Júri. Segundo o advogado, atualmente, o processo está em uma etapa de análise da participação da assistência de acusação. O pedido, feito pela defesa da família de Juliana, ainda aguarda manifestação do MP.

Ainda de acordo com Carlos, os dois acusados estão em liberdade provisória. Segundo ele, a defesa discorda da decisão e pretende atuar para que ambos sejam levados a julgamento. “A assistência de acusação respeita as decisões judiciais que colocaram os acusados Keldheky e Diego em liberdade provisória, mas discorda veementemente da decisão do Tribunal de Justiça”, declarou.

Próximos passos

O advogado afirmou ainda que, na avaliação da assistência de acusação, as imagens relacionadas ao caso devem ser analisadas durante o processo e, assim, poder provar que houve intenção na ação que resultou no atropelamento de Juliana. De acordo com Carlos, ainda não há uma data definida para o júri dos acusados. A realização do julgamento, segundo ele, depende das alegações finais apresentadas pelas partes e, posteriormente, da decisão do juiz responsável pelo processo sobre a pronúncia ou não dos acusados.

A assistência de acusação também pretende solicitar, junto ao MP-AC, a aplicação de medidas cautelares aos acusados, com inclusão do monitoramento eletrônico. “Nós vamos utilizar todos os recursos permitidos pela lei, participar ativamente de cada ato processual, porque os responsáveis têm que pagar devidamente pelo crime cometido contra a Juliana, que destruiu não só a vida dela, mas a vida de toda uma família. [...] Nós vamos usar todas as ferramentas adequadas para que os dois sejam julgados pelo Tribunal do Júri”, afirmou.

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Relembre o caso

Juliana foi atropelada e morta na madrugada de 21 de junho de 2025, após uma confusão em frente ao bar Dibuteco, na capital acreana. Segundo as investigações, a ocorrência começou após uma discussão dentro do estabelecimento. Durante o episódio, o advogado Keldheky Maia da Silva teria efetuado disparos de arma de fogo contra dois homens. Na sequência, Diego Luiz Gois Passo teria usado uma caminhonete para atropelar Juliana e outro homem. A assessora jurídica morreu horas depois no Pronto-Socorro de Rio Branco.

O caso resultou na denúncia dos dois homens pelo Ministério Público do Acre (MP-AC). Diego foi acusado de homicídio qualificado, enquanto Keldheky foi denunciado por duas tentativas de homicídio qualificadas e porte ilegal de arma de fogo.