O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu que o Judiciário precisa atuar de forma coordenada para combater o crime organizado no Brasil. A declaração foi feita durante a abertura do evento 'Justiça e Combate ao Crime Organizado', realizado em Brasília nesta quarta-feira (14).
Necessidade de integração entre órgãos
Fachin destacou que a atuação isolada de tribunais e juízes não é suficiente para enfrentar organizações criminosas que atuam em múltiplas jurisdições. 'O crime organizado não respeita fronteiras estaduais ou nacionais. Por isso, o Judiciário precisa se articular internamente e com outros poderes para ser eficaz', afirmou.
O ministro citou exemplos de operações recentes que exigiram cooperação entre varas criminais de diferentes estados e com a Polícia Federal. Segundo ele, a troca de informações e a padronização de procedimentos são essenciais para evitar que brechas legais sejam exploradas.
Medidas propostas
Entre as medidas sugeridas por Fachin estão a criação de bancos de dados compartilhados sobre investigações e condenações, além de treinamentos conjuntos para magistrados. 'Precisamos de inteligência judicial, com uso de tecnologia para cruzar dados e identificar padrões de atuação criminosa', explicou.
O evento contou com a presença de representantes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), do Ministério Público Federal e da Advocacia-Geral da União. Fachin também ressaltou a importância de proteger juízes e promotores que atuam em casos de grande risco.
Contexto de aumento da criminalidade
A fala do ministro ocorre em meio ao crescimento de facções criminosas no país, que têm expandido suas operações para o exterior. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que os homicídios relacionados ao crime organizado aumentaram 12% em 2025, em comparação com o ano anterior.
Fachin defendeu que o Judiciário não pode ficar para trás nesse cenário. 'A resposta institucional precisa ser à altura do desafio. O crime organizado se moderniza; o Judiciário também precisa se modernizar', concluiu.



