O ex-chefe de gabinete do Podemos no Senado, João Silva, deixou o cargo na última semana, mas seu filho, Pedro Silva, continua trabalhando como assessor parlamentar, com salário pago pela Casa. A informação foi confirmada pela assessoria do partido.
Filho permanece mesmo após saída do pai
De acordo com fontes internas, Pedro Silva foi contratado como assessor há cerca de dois anos, quando o pai ainda ocupava a chefia de gabinete. Com a saída de João Silva, surgiram questionamentos sobre a permanência do filho. O partido afirmou que a contratação de Pedro é legal e seguiu todos os trâmites regimentais.
O salário de Pedro Silva é de R$ 15 mil mensais, valor compatível com o cargo de assessor parlamentar no Senado. A assessoria do Podemos destacou que não há nepotismo, pois a nomeação ocorreu antes da saída do pai e não há subordinação direta.
Regras de nepotismo no Senado
O Supremo Tribunal Federal (STF) já firmou jurisprudência sobre nepotismo, vedando a nomeação de parentes até o terceiro grau para cargos de confiança ou comissionados. No entanto, a situação de Pedro Silva é considerada legal, pois ele foi contratado antes da saída do pai e não há vínculo hierárquico entre eles atualmente.
O senador Carlos Mendes, líder do Podemos, declarou: "A permanência de Pedro Silva é legal e não fere nenhuma regra do Senado. Ele é um profissional qualificado e continuará exercendo suas funções normalmente."
Impacto político
O caso gerou repercussão entre os demais partidos. A oposição criticou a situação, classificando-a como "nepotismo disfarçado". O deputado federal Paulo Santos (PSDB) afirmou: "É inaceitável que familiares de ex-chefes continuem nos cargos, mesmo após a saída do parente. Isso fere o princípio da impessoalidade."
Por outro lado, especialistas em direito administrativo apontam que, juridicamente, não há irregularidade, pois a nomeação ocorreu antes e não há subordinação. O professor de direito da USP, Ricardo Oliveira, explicou: "A súmula vinculante do STF exige que o parente seja nomeado por autoridade que tenha vínculo de subordinação. Como o pai já saiu, não há subordinação direta."
Transparência e próximos passos
O Senado informou que todos os atos de nomeação são públicos e podem ser consultados. O caso deve ser analisado pela Comissão de Ética da Casa, embora não haja previsão de punição. O Podemos defende a legalidade e a competência de Pedro Silva, que possui formação em administração pública.
O episódio reacende o debate sobre a contratação de parentes no serviço público, mesmo em situações legalmente permitidas. Organizações de transparência, como a Transparência Brasil, pedem maior rigor nas regras para evitar conflitos de interesse.



