O endividamento e a inadimplência das famílias brasileiras estabilizaram em junho, reflexo do programa Desenrola Brasil, de renegociação de dívidas, segundo pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O percentual de famílias com dívidas ficou em 78,8% em junho, praticamente estável em relação a maio (78,9%) e abaixo do registrado em junho de 2023 (79,1%).
Inadimplência permanece estável
A inadimplência, medida pelo percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso, ficou em 29,1% em junho, ante 29,2% em maio e 30,1% em junho do ano passado. O percentual de famílias que não terão condições de pagar as dívidas em atraso também se manteve estável, em 12,1%.
“O programa Desenrola Brasil, que começou em julho de 2023, contribuiu para a redução do endividamento e da inadimplência, mas os efeitos já estão se dissipando”, afirma Izis Ferreira, economista da CNC. Segundo ela, a estabilização dos indicadores mostra que o programa ajudou, mas não resolveu o problema estrutural de endividamento das famílias.
Cartão de crédito é principal vilão
O cartão de crédito continua sendo o principal tipo de dívida entre as famílias, respondendo por 86,3% do total. Em seguida, aparecem carnês (17,9%), financiamento de carro (11,1%), crédito pessoal (10,8%) e financiamento de casa (8,7%).
O comprometimento da renda com dívidas também se manteve elevado, em 30,2% da renda média das famílias, ante 30,1% em maio. O prazo médio de pagamento das dívidas ficou em 7,5 meses.
Perspectivas para os próximos meses
A CNC projeta que o endividamento e a inadimplência devem voltar a subir nos próximos meses, com o fim dos efeitos do Desenrola e a manutenção dos juros elevados. “A tendência é de piora, especialmente para as famílias de menor renda, que são mais sensíveis ao crédito caro”, diz Izis Ferreira.
A pesquisa ouviu 18 mil consumidores em todas as capitais brasileiras entre os dias 1º e 15 de junho. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais para mais ou para menos.



