A investigação que levou à prisão de Deolane Bezerra, suspeita de lavagem de dinheiro para a cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC), ganhou novos contornos com fotos da influenciadora em eventos da família Camacho, sobrenome do líder da facção, Marco Willian Herbas Camacho, o Marcola. O g1 teve acesso a informações do relatório do Ministério Público de São Paulo, produzido pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), núcleo de Presidente Prudente. O documento, divulgado nesta quarta-feira (10), detalha as conexões entre a advogada e a família de Marcola.
Relação entre os sobrenomes Bezerra e Camacho
Conforme o relatório do MP, Deolane Bezerra aparece em uma foto publicada nas redes sociais em maio de 2020, ao lado de Francisca Alves da Silva, esposa de Alejandro Camacho Júnior, irmão de Marcola. Em outras ocasiões, a influenciadora é vista ao lado do sobrinho de Marcola, também filho de Alejandro, em festas familiares. O vínculo é reforçado pelo fato de Deolane seguir Victoria Alves Herbas Camacho, filha de Alejandro e Francisca e sobrinha de Marcola, no Instagram. O perfil de Victoria está desativado atualmente.
Deolane está presa na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista (SP) desde 22 de maio, após ser alvo da Operação Vérnix, que desarticulou um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo uma transportadora de cargas controlada pela cúpula do PCC. A empresa, sediada em Presidente Venceslau, repassava recursos para outras contas para dificultar o rastreamento. Duas dessas contas estavam em nome da advogada.
Planos de expansão internacional
O relatório do MP aponta que Deolane Bezerra tinha planos de reestruturar suas empresas e enviar recursos para fundos em Dubai, país conhecido por abrigar empresas de fachada (shell companies), usadas para facilitar a lavagem internacional de dinheiro da facção. A investigação indica que a influenciadora atuava como uma espécie de "caixa" do PCC, movimentando milhões de reais e utilizando sua estrutura financeira e respeitabilidade social para inserir valores ilícitos no sistema financeiro formal.
A defesa de Deolane nega qualquer ligação com o crime organizado. Em nota ao Fantástico, em 25 de maio, os advogados afirmaram que a empresária é inocente. O delegado Ramon Euclides Guarnieri, da Polícia Civil de São Paulo, declarou ao programa que "ela acaba se imiscuindo cada vez mais, e agora a investigação demonstra nas atividades dessa organização criminosa".
Denúncia do Ministério Público
O MP denunciou à Justiça: Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior; Deolane Bezerra Santos; Everton de Souza; Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho; Marco Willian Herbas Camacho (Marcola); e Paloma Sanches Herbas Camacho. Dois dos denunciados, Paloma e Leonardo, sobrinhos de Marcola, permanecem foragidos, supostamente no exterior, o que justifica o pedido de prisão preventiva.
Mesmo presos em unidade federal de segurança máxima, as investigações apontam que Marcola e o irmão Alejandro cometeram novos delitos, como integrar organização criminosa e lavagem de capitais, durante o cumprimento da pena. O MP requer a manutenção da prisão preventiva dos denunciados para garantir a ordem pública.
O que dizem os citados
A defesa de Marcola, Paloma, Leonardo e Alejandro, representada pelo advogado Bruno Ferullo, afirmou em nota que Marcola e Alejandro cumprem pena em unidade federal de segurança máxima desde fevereiro de 2019, com severas restrições de contato e comunicação, o que torna inviável qualquer participação nos fatos investigados. Sobre os sobrinhos, a defesa contesta as acusações, dizendo que "o mero vínculo familiar não pode ser confundido com participação criminosa". Quanto ao patrimônio citado, o advogado informou que possui regularidade e que adotará medidas processuais para demonstrar a fragilidade da acusação.



