Dentista condenado a 18 anos por estupro de familiar em Teixeira Soares
Dentista condenado a 18 anos por estupro de familiar

O dentista Luis Alberto Pohlmann Júnior, acusado de estuprar crianças da própria família em Teixeira Soares, nos Campos Gerais do Paraná, foi condenado a 18 anos e oito meses de prisão. A sentença foi proferida pelo crime de estupro de vulnerável, com agravante de se prevalecer de relações domésticas e aumento de pena por ser familiar da vítima. Ele está preso desde março, após denúncia de nove vítimas de estupro, a maioria crianças da família. A condenação considerou apenas uma delas, pois os demais crimes ocorreram há mais de vinte anos e tiveram a punibilidade extinta pela prescrição.

Defesa alega falta de provas e anuncia recurso

A defesa do dentista, representada pelos advogados Felipe Petrin e Debora Petrin, afirmou ao g1 que recebeu a sentença com "absoluta perplexidade" e que vai recorrer. Em nota, os advogados declararam que a condenação não se ampara "em qualquer prova material, testemunha presencial, elemento pericial, documento contemporâneo aos fatos ou qualquer evidência objetiva capaz de corroborar a ocorrência da imputação específica". Eles criticaram a decisão por basear-se essencialmente na credibilidade do relato da vítima, reforçado por depoimentos sobre fatos distintos, e alertaram para o "grave precedente" de usar acusações independentes para suprir a falta de prova direta.

Outros crimes e reincidência

Luis Alberto Pohlmann Júnior, de 46 anos, também é réu em outra ação por supostamente abusar de uma paciente enquanto ela estava anestesiada, em seu consultório em Curitiba. Ele já havia sido condenado anteriormente por importunar sexualmente outra paciente no mesmo local. Os crimes contra familiares ocorriam em reuniões na chácara do dentista em Teixeira Soares. O delegado Rafael Nunes Mota destacou que "os relatos das vítimas têm um padrão consistente e recorrente, e mostram um padrão na repetição dos crimes". Além da prisão, a Justiça determinou o pagamento de R$ 25 mil de indenização por danos morais à vítima.

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Reação das vítimas

O advogado Fernando Madureira, que representou as vítimas, disse que elas receberam a notícia com alívio, reconhecimento e satisfação. "Durante todo o processo, as vítimas reviveram momentos extremamente dolorosos, marcados por sofrimento, medo, angústia e abalo emocional profundo. A violência sexual sofrida deixou marcas que ultrapassam o campo físico, atingindo diretamente a dignidade, a liberdade, a segurança e a integridade psicológica de cada uma delas", afirmou. Ele acrescentou que as vítimas entendem a condenação como "importante medida de Justiça, reparação moral e reafirmação da dignidade das mulheres atingidas".

Detalhes do caso e investigação

O dentista foi denunciado pelo Ministério Público 16 anos após o crime. Uma das vítimas relatou que o primeiro abuso ocorreu quando ela tinha 7 anos. Segundo o delegado, os abusos começaram há cerca de 25 anos. Após a prisão de Luis Alberto, mais vítimas procuraram a polícia. Uma delas afirmou: "O silêncio protege o agressor". A defesa já anunciou que interporá recurso de apelação ao Tribunal de Justiça do Paraná, confiando na revisão da sentença para restabelecer as garantias constitucionais da presunção de inocência e do devido processo legal.

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