Pacientes e gestores de saúde em Minas Gerais enfrentam dificuldades para conseguir vagas de internação desde a implantação do novo sistema Core (Central de Operações para Regulação Estadual), que substituiu o SUS Fácil. A demora tem causado superlotação em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e gerado críticas de prefeitos e profissionais de saúde.
Relatos de pacientes e profissionais
O comerciante Evandro Ricardo da Silva, de São Sebastião do Paraíso, aguardou horas pela internação da mãe, com suspeita de AVC. Ele chegou a considerar retirá-la da UPA para atendimento particular, mas foi orientado a esperar. A mãe foi internada na Santa Casa local. "É desespero, é minha mãe... Esse novo sistema tem atrasado muito o paciente de urgência e emergência", disse.
Na UPA de Passos, a coordenadora de enfermagem Gelza Silva Macedo relatou que pacientes chegam a esperar uma semana por internação. "Na semana passada estávamos com 42 pacientes internados na UPA... A gente não tem previsão de quando a vaga vai sair", afirmou.
Críticas dos gestores municipais
O prefeito de São Sebastião do Paraíso, Marcelo de Morais (PSD), afirmou que o sistema Core envia pacientes para outras cidades mesmo quando há tratamento disponível no município, e vice-versa. Ele disse que pacientes na UPA esperam no mínimo 12 horas para regulação, e há casos de 30 horas. "Nós só queremos que os nossos pacientes sejam regulados para onde temos pactuação", declarou. O prefeito acionou a justiça para que o sistema anterior volte a operar.
Reunião com a Secretaria Estadual de Saúde
No dia 1º de junho, prefeitos da Associação dos Municípios da Microrregião do Médio Rio Grande (AMEG) se reuniram com o subsecretário de acesso a serviços de saúde, Renan Guimarães Rosa de Oliveira. Eles entregaram um ofício com reivindicações, incluindo redução do tempo de resposta, respeito às referências assistenciais pactuadas e maior transparência nos critérios.
Representantes de Santas Casas relataram dificuldades na comunicação com a central e aumento da demanda administrativa. O presidente da AMEG, Daniel Ferreira da Silva (PSD), disse que ajustes são necessários para o sistema funcionar eficientemente.
Posição da Secretaria
O subsecretário Renan Guimarães afirmou que as transferências seguem prioridades clínicas e que o sistema é transparente. "A gente se utiliza de uma grade de referência que busca a unidade mais próxima com leito disponível, priorizando município, microrregião e macrorregião", explicou. Ele disse que a secretaria não identificou extrapolamento de tempo nas internações e sugeriu que as demandas fossem unificadas pela AMEG para elaborar um plano de ação conjunto.



