O coronel do Corpo de Bombeiros Lauro César Botto Maia foi denunciado pelo Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública do Ministério Público do Rio de Janeiro (Gaesp/MPRJ) pelo crime de assédio sexual. A denúncia foi recebida pela Justiça Militar na quarta-feira (2). Ele nega as acusações.
Detalhes da denúncia
Segundo o MP, os fatos ocorreram entre o fim de 2024 e julho de 2025. Nesse período, o oficial teria enviado, por meio de uma rede social, mensagens com conteúdo considerado inadequado a uma subordinada, com o objetivo de obter vantagem ou favorecimento sexual. Na denúncia, o MPRJ afirma que reuniu mensagens, reações a publicações da vítima e referências à posição de comando ocupada pelo coronel como elementos que embasam a acusação.
De acordo com um trecho da denúncia, o comportamento do denunciado teria se tornado cada vez mais insistente ao longo dos meses. A pedido do MPRJ, a Justiça Militar determinou medidas cautelares contra o coronel. Entre elas estão a suspensão do porte de arma de fogo, a proibição de manter contato com a vítima e as testemunhas, a proibição de ingressar no quartel do comando-geral do Corpo de Bombeiros e a vedação de fazer referências públicas às pessoas envolvidas no caso.
Investigação e relatos de vítimas
A apuração foi aberta após uma série de relatos apresentados por oficiais e praças, que denunciaram a conduta do militar. Os episódios teriam ocorrido ao longo dos meses de setembro de 2024 e outubro de 2025, período em que o oficial, de 46 anos, ocupava o cargo de subsecretário de Defesa Civil. O militar é casado e tem filhos.
No dia 28 de outubro de 2025, após diversos relatos de vítimas, ele foi afastado do cargo. No dia 30 de outubro, o Governo do Rio exonerou o coronel da função. Nas últimas semanas, diversas pessoas, entre vítimas e testemunhas, prestaram depoimento no MPRJ.
O g1 apurou que várias mulheres teriam sido vítimas do militar. Por medo e vergonha, muitas delas preferiram não levar o caso adiante. Em quatro depoimentos aos quais a reportagem teve acesso, os relatos citam: aproximação pelas redes sociais, mensagens inconvenientes, pressão velada com ofertas de vantagens e punições, uso da hierarquia para intimidar e tentativa de blindagem com troca dos responsáveis pela Sala Lilás.
Posicionamento do Corpo de Bombeiros
Em nota, a corporação informou que a situação foi investigada administrativamente por meio de uma sindicância conduzida pela Corregedoria Interna. Ao final da apuração, o material foi enviado à Auditoria da Justiça Militar e ao MPRJ. No âmbito administrativo, a sindicância indicou, em tese, a ocorrência de transgressão disciplinar por violação de princípios éticos e morais. Com base nisso, foi instaurado um Processo Administrativo Disciplinar (PAD), cuja defesa já foi apresentada e segue em análise.
O Corpo de Bombeiros destacou que todo o procedimento respeita o devido processo legal e o caráter sigiloso, além de reafirmar que não tolera práticas de assédio. O coronel nega as acusações e questiona a apuração.



