A Justiça do Maranhão condenou Jordélia Pereira Barbosa a 66 anos de prisão em regime fechado pelo envenenamento de um ovo de Páscoa que matou duas crianças em Imperatriz. Além da pena, foi determinado o pagamento de indenizações que totalizam mais de R$ 810 mil por danos morais aos pais das vítimas. A ré não poderá recorrer em liberdade.
O crime e as vítimas
O caso ocorreu em abril de 2025. Luiz Fernando Rocha Silva, de 7 anos, e Evellyn Fernanda Rocha Silva, de 13, morreram após ingerirem o chocolate contaminado com chumbinho, um pesticida usado clandestinamente como raticida. A mãe das crianças, Mírian Lira Rocha, também consumiu o doce e ficou internada na UTI por vários dias, sobrevivendo.
De acordo com o Ministério Público do Maranhão (MPMA), o crime foi motivado por ciúmes e vingança. Jordélia era ex-namorada do então companheiro de Mírian.
A condenação e as indenizações
O júri reconheceu a tentativa de homicídio qualificado contra Mírian, por motivo torpe, uso de veneno e dissimulação. A morte da mãe só não ocorreu devido ao rápido atendimento médico. Para as crianças, foi reconhecido duplo homicídio qualificado, com as qualificadoras de motivo torpe, uso de veneno, dissimulação e a condição de vítimas menores de 14 anos.
Mírian Lira Rocha receberá indenização equivalente a 100 salários mínimos, cerca de R$ 162,1 mil. Já os pais, Mírian e Antônio Alves Barbosa Filho, terão direito a 400 salários mínimos, aproximadamente R$ 648,4 mil, totalizando mais de R$ 810 mil.
Investigação e julgamento
A denúncia foi formulada pelo MPMA e aceita pela 3ª Vara Criminal de Imperatriz, com atuação do promotor Tiago Quintanilha Nogueira. As investigações revelaram que o crime foi premeditado. Jordélia viajou de Santa Inês a Imperatriz, hospedou-se em hotel com nome falso e contratou um motoboy para entregar os ovos de Páscoa, acompanhados de um bilhete: “Com amor para Mirian Lira. Feliz Páscoa!!!”.
Na prisão, em Santa Inês, foram encontradas perucas, restos de chocolate em bolsas térmicas e um bilhete de ônibus. Em depoimento, Jordélia admitiu ter comprado e enviado o ovo, mas negou o envenenamento, atribuindo a culpa a terceiros – versão considerada infundada pela Justiça.
Repercussão
“Que a memória deles seja honrada”, disse a mãe após a condenação. O caso chocou o país pela crueldade e teve ampla cobertura da imprensa. A sentença foi elogiada por especialistas como exemplo de punição severa para crimes hediondos contra crianças.



