O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a suspensão imediata das visitas de Flávio Bolsonaro ao ex-presidente Jair Bolsonaro, após a descoberta de uma carta em uma cela de um preso que sugeria um plano de fuga. A decisão foi tomada na última segunda-feira (14) e tem como base a necessidade de preservar a segurança e a ordem no sistema prisional.
Conteúdo da carta levanta suspeitas
De acordo com informações obtidas pela reportagem, a carta foi encontrada durante uma revista de rotina na Penitenciária da Papuda, em Brasília. O documento, escrito por um detento identificado como Carlos Eduardo, continha referências a um suposto esquema para facilitar a fuga de Bolsonaro, que está preso preventivamente desde abril. A carta mencionava a participação de Flávio Bolsonaro, senador da República, como intermediário de contatos externos.
Segundo fontes do STF, a carta dizia: "Precisamos que o Flávio consiga os contatos lá fora para agilizar o plano. Sem ele, não sai." A frase foi considerada suficiente para que Moraes tomasse a medida cautelar, visando evitar qualquer interferência externa no processo.
Decisão de Moraes e reações
Na decisão, Moraes argumentou que "a gravidade dos fatos e a necessidade de garantir a instrução criminal justificam a restrição temporária das visitas familiares". Ele também determinou que a Polícia Federal investigue o conteúdo da carta e a possível participação de Flávio Bolsonaro no plano.
A defesa de Flávio Bolsonaro classificou a decisão como "absurda e sem provas". Em nota, o advogado Paulo Amador afirmou: "Não há qualquer evidência que ligue o senador a um plano de fuga. A carta é vaga e foi escrita por um preso comum. Isso é perseguição política."
Impacto na relação entre os Bolsonaro
A suspensão das visitas representa mais um capítulo na tensão entre o Judiciário e a família Bolsonaro. Jair Bolsonaro está preso desde abril, acusado de tentativa de golpe de Estado. Flávio Bolsonaro vinha sendo um dos visitantes mais frequentes, e a proibição pode afetar a comunicação entre eles.
Especialistas apontam que a medida é incomum, mas não inédita. Em casos de risco de fuga ou obstrução da Justiça, o STF já havia restringido visitas a outros presos de alta periculosidade. A decisão de Moraes, no entanto, gerou críticas de parlamentares da oposição, que veem nela um abuso de poder.
Próximos passos
A Polícia Federal tem 30 dias para concluir a investigação sobre a carta. Enquanto isso, Flávio Bolsonaro poderá recorrer da decisão ao plenário do STF. O caso deve reacender o debate sobre os limites das medidas cautelares e a atuação do Judiciário em processos de grande repercussão política.



