Bebê de 2 anos morre após ser liberado 3 vezes sem exames em Cubatão
Bebê morre após 3 atendimentos sem exames em Cubatão

Um bebê de dois anos, Matteo Lima Albertino, morreu horas após ser internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Cubatão (SP), depois de ter sido atendido e liberado três vezes sem exames no Pronto-Socorro da cidade. A mãe, Laysa Cristina Lima Albertino, de 37 anos, afirmou ao g1 que o filho passou por quatro atendimentos em poucos dias e apenas na última ida ao hospital foi submetido a um exame de sangue. "Eu sei que nada vai trazer ele de volta, mas eu quero Justiça", declarou.

Atendimentos consecutivos sem exames

Na primeira ida ao pronto-socorro, no sábado (27), Matteo apresentava febre acima de 39°C. A mãe contou que o menino foi examinado apenas na garganta, recebeu medicação e foi liberado. A médica sugeriu que a família, se tivesse condições financeiras, realizasse um teste particular para vírus. No domingo (28), com vômitos, diarreia e fraqueza, a família retornou. Outro médico diagnosticou virose, administrou soro e antibiótico, e liberou a criança.

Abscesso ignorado e piora progressiva

Na segunda-feira (29) de manhã, os pais encontraram um abscesso na região anal. O médico disse que se tratava de uma hemorroida, receitou pomada e ibuprofeno e mandou a criança para casa. À noite, os pais voltaram ao hospital. Uma médica se assustou com a evolução da lesão e, pela primeira vez, solicitou exame de sangue e deixou Matteo em observação. "Ninguém sabia dizer o que meu filho tinha", afirmou Laysa, destacando que ele parou de urinar e evacuar após receber grande quantidade de soro e precisou de sonda. Exames de imagem só foram realizados na terça-feira (30), quando Matteo já precisava de UTI.

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Demora na UTI e morte

A família afirma que houve demora para conseguir o leito de UTI. Matteo foi transferido em estado crítico na noite de terça-feira (30) e morreu horas depois. O laudo definitivo ainda não foi concluído, mas o Instituto Médico Legal (IML) apontou inicialmente sepse (infecção generalizada) como causa da morte.

Reação dos pais e histórico

O pai, Gustavo Albertino da Silva, de 33 anos, técnico de qualidade, disse que é comum crianças serem liberadas sem exames. "É loteria. Depende do médico que estará no dia", afirmou. "Meu filho não foi o primeiro. Eu já vi outras famílias chorando no hospital. A gente nunca acha que vai acontecer com a gente", desabafou. O casal tem outros três filhos.

Posicionamentos oficiais

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Cubatão informou que instaurou sindicância administrativa "para apurar, com rigor e transparência, todas as circunstâncias relacionadas ao caso". A nota reforça que a investigação será técnica e imparcial, com oitiva de todos os envolvidos. O presidente da Câmara Municipal, Alexandre Mendes da Silva (Topete, PSD), lamentou a morte e disse que a Comissão de Saúde se reunirá na segunda-feira (6) com o Instituto Alpha (administrador do PS) e a SMS. O g1 tentou contato com o Instituto Alpha, mas não obteve retorno.

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