A alienação parental cresceu 42% entre 2023 e 2025 nas regiões de Campinas e Piracicaba, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Em Campinas, cidade que concentra mais da metade dos novos processos, foram abertos 29 casos em 2024, e em 2025 o município respondeu por 33% dos casos regionais.
Caso emblemático em Campinas
Uma mãe de Campinas (SP) enfrentou um processo por alienação parental mesmo após o ex-marido passar nove meses sem contato com o filho do casal. O caso terminou em acordo judicial, que acrescentou um dia a mais na convivência quinzenal entre o pai e o menino de cinco anos. A mulher, que preferiu não ser identificada, foi alvo de um processo de guarda compartilhada em que o ex-marido a acusava de alienação parental e humilhação. Em contrapartida, a mãe afirmou que o distanciamento partiu do próprio genitor. "Ele foi pouco presente nessa primeira infância do nosso filho, inclusive em 2024 ele se afastou por nove meses. O nosso filho implorava para pelo menos uma ligação, uma mensagem. E ele entrou com o processo de alienação parental, sendo que na verdade quem se afastou da criança foi ele", relatou.
Outro lado: pai relata manipulação
Em outro caso na região, um pai que se separou há mais de 10 anos disse ser vítima de manipulação por parte da ex-mulher, além de relatar suspeitas de violência contra a criança. "Eu sou privado de ver ele na escola, de ver os autos médicos. [...] O conselho tutelar não me dá respostas, a delegacia não me trouxe respostas e a alienação parental está acontecendo de todos os lados", afirmou o homem.
Desafios e punições
Para o presidente da Associação Brasileira pela Convivência Equilibrada e Combate à Alienação Parental (Abracecap), Leandro Nagliate, a demora do Judiciário é o maior desafio. "Para ser feita uma avaliação psicológica, para ser feita uma avaliação social, para ser feita uma perícia, demora um, dois, às vezes três anos, cinco anos num processo e até aí a criança já está afastada do pai ou da mãe e depois não consegue voltar", explicou. Ele ressaltou que a lei prevê punições severas, como inversão ou perda da guarda e suspensão do poder familiar. No entanto, devido a distorções e uso indevido da legislação por agressores, a revogação da lei é discutida na Câmara dos Deputados desde 2022, já tendo sido aprovada na Comissão de Constituição e Justiça.
O que dizem os citados?
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) foi questionado sobre o processo do pai que relata dificuldades de convivência, mas informou que não pode fornecer detalhes porque o caso envolve uma criança e tramita em segredo de Justiça. Já o Conselho Tutelar de Campinas declarou que conflitos sobre alienação parental são analisados pelo Judiciário e disse que atendeu a todas as demandas do caso, aplicou as medidas de proteção cabíveis e comunicou as varas responsáveis.



