A Copasa e o governo de Minas Gerais mantiveram em segredo o preço mínimo definido para a primeira fase do processo de privatização da companhia de saneamento, referente à escolha do investidor de referência. A estratégia visava levantar mais recursos com a operação.
Expectativa frustrada
Havia expectativa de que as propostas dos interessados em adquirir 30% da empresa mineira, garantindo a posição de maior acionista individual, ficassem próximas do valor de mercado das ações, que estava pouco acima de R$ 56,00 quando o prospecto foi lançado em maio. Nesse patamar, as ações operavam cerca de 13% acima do preço mínimo de R$ 47,00 estabelecido desde o início pela Copasa, mas que apenas os envolvidos na estruturação da oferta conheciam.
O 'jeitinho mineiro'
A estratégia de não divulgar o preço mínimo acabou frustrada. A Equatorial e os sócios da Aegea (Equipav, Itaúsa e o fundo soberano de Cingapura GIC) apresentaram propostas ainda abaixo do mínimo de R$ 47,00. Com isso, uma segunda rodada foi aberta em 24 horas para a escolha do investidor de referência. A Equatorial foi a única a apresentar nova proposta, de R$ 49,03. Esse preço direcionou a oferta ao mercado, encerrada em 11 de junho, garantindo R$ 8,4 bilhões ao governo mineiro, único vendedor das ações.
O governo de Minas acredita que o ganho potencial da Copasa é grande. Na cerimônia realizada na B3 para marcar a privatização, com toque de sino e presença de autoridades como o governador Mateus Simões, ele afirmou: “Tenho certeza de que o preço-alvo dessa ação deixa de ser os R$ 49 pelos quais ela foi negociada e passa a estar em casas superiores a R$ 70, R$ 75, R$ 80 ao longo dos anos”.



