A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) realizou na tarde desta terça-feira (7) a cerimônia de diplomação póstuma de Stuart Edgard Angel Jones, estudante de Ciências Econômicas que teve a trajetória acadêmica interrompida durante a Ditadura Militar. O evento ocorreu no Salão Dourado do Palácio Universitário, na Cidade Universitária, e contou com a presença de familiares de Stuart Angel, integrantes da comunidade acadêmica, representantes de entidades estudantis e o reitor da UFRJ, Roberto Medronho.
Reparação histórica e reconhecimento institucional
Segundo a universidade, a concessão do Diploma de Bacharelado em Ciências Econômicas representa um ato de reparação histórica e de reconhecimento institucional ao estudante, cuja formação foi interrompida em decorrência da repressão do regime militar. Em nota, a UFRJ afirmou que a homenagem reafirma o compromisso da instituição com a preservação da memória, da verdade, da justiça e da defesa da democracia.
“Ele foi arrancado do seio de sua família e duramente torturado. Ofereceu o que tinha de mais belo: a sua juventude. Esperamos que o legado de Stuart Angel inspire todos os estudantes a atuarem em prol da democracia, para que esse terrível capítulo da história do Brasil não se repita”, disse o reitor Roberto Medronho.
Quem foi Stuart Angel
Stuart Angel tinha 26 anos quando desapareceu. Ele era filho da estilista Zuzu Angel, que após o desaparecimento do filho passou a denunciar o caso no Brasil e no exterior, tornando-se um dos principais símbolos da luta por memória e justiça durante o regime militar. Zuzu morreu em 1976, em um acidente de carro no túnel que hoje leva seu nome e liga a Zona Sul do Rio a São Conrado. Na época, a versão oficial apontou que a estilista teria adormecido ao volante. Antes da morte, porém, Zuzu Angel relatava receber ameaças por telefone e deixou um bilhete no qual responsabilizava militares caso morresse de forma repentina em um acidente.



