Taxidermia: arte e ciência preservam animais para estudos em Sorocaba
Taxidermia: arte e ciência preservam animais para estudos

A taxidermia, técnica que combina arte e ciência para preservar a forma e a pele de animais mortos por causas naturais ou acidentais, ganhou destaque recentemente após o jogador Erling Haaland viralizar ao desembarcar na Noruega com um guaxinim empalhado adquirido nos Estados Unidos. No Brasil, a prática é utilizada principalmente para fins educativos e científicos, como ocorre na Universidade de Sorocaba (Uniso), que mantém um acervo de animais silvestres taxidermizados usado nos cursos de Biologia e Medicina Veterinária, além de atividades de educação ambiental com policiais.

Acervo da Uniso e espécies preservadas

O acervo da Uniso inclui exemplares como tamanduá-bandeira, araras-canindé, tucanos-toco, pavão (macho) e pavoa (fêmea), ganso, codornas, ratos Twister, lagarto teiú, peixe pirarucu e cobra píton-carpete. O professor e biólogo Ronnie Von Mateus Ferreira explicou ao g1 as etapas da taxidermia: "Para taxidermizar um animal, é necessária a retirada da pele (dissecação), a confecção de uma armação de arame, o preenchimento da peça com algodão hidrofóbico e outros materiais para dar forma ao corpo e, por fim, a fixação da pele sobre essa estrutura". A dissecação é a etapa mais delicada e, em um espécime de médio porte como um rato Twister, pode levar cerca de seis horas para ser concluída.

Materiais e manutenção dos exemplares

Além do algodão hidrofóbico, são empregados isopor ou espuma expansiva para modelagem, conservantes químicos e fio de sutura ou cola para o fechamento. Ferreira ressalta que "os exemplares exigem manutenção ao longo do tempo, além dos cuidados básicos com umidade, poeira e excesso de exposição à luz". A Uniso oferece um minicurso de taxidermia com carga horária de oito horas, voltado a estudantes de medicina veterinária e biologia, com uma hora de teoria e o restante de prática. As inscrições ocorrem durante a Semana da Biologia, em setembro, ou na Semana Acadêmica da Medicina Veterinária (SAVS), em outubro.

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Sítio Reino Animal e educação ambiental em Votorantim

Em Votorantim (SP), o Sítio Reino Animal mantém um acervo de espécies taxidermizadas usado em atividades de educação ambiental, onde os visitantes podem tocar nas peças acompanhados por monitores. A bióloga responsável, Carolina Martins Souto, destacou que existem diferentes formas de conservação: "Temos a preservação em via úmida, a preparação osteológica, isto é, montagem de ossos e esqueletos, e a taxidermia artística".

Legalidade e transporte de animais taxidermizados

O guaxinim de Haaland foi comprado em Dallas, Texas, por cerca de R$ 3,8 mil, em uma loja de itens típicos do Velho Oeste. A venda é permitida no estado americano desde que o vendedor possua licença, por se tratar de um animal silvestre não obtido por caça. No Brasil, o transporte de animais taxidermizados em aviões é possível, desde que haja comprovação de origem legal e autorizações dos órgãos ambientais. Ferreira afirma: "A legislação estabelece que os animais silvestres são protegidos pelo Estado e que a comercialização ou o transporte sem autorização são proibidos. Nesses casos, a peça deve estar acompanhada da documentação que comprove sua origem legal e das autorizações necessárias". A taxidermia só pode ser realizada com animais de origem comprovada, como os encontrados mortos, apreendidos por órgãos ambientais ou provenientes de criadouros autorizados. Não existe um documento específico que autorize a taxidermia, mas é preciso demonstrar a origem legal do animal. Para coleções museológicas, é necessário comprovar o vínculo com instituição de ensino ou pesquisa e que o transporte seja feito por responsável habilitado.

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