Sete em cada dez pais veem férias como mais preocupação que descanso
Sete em cada dez pais: férias preocupam mais que descanso

Uma pesquisa recente trouxe à tona uma realidade pouco discutida: para sete em cada dez pais brasileiros, as férias escolares representam mais uma fonte de preocupação do que um período de descanso. O levantamento, realizado pelo Instituto Locomotiva em parceria com a plataforma de educação infantil PlayKids, ouviu 1.200 responsáveis por crianças de 2 a 12 anos em todas as regiões do país.

O peso financeiro das férias

Entre os principais motivos apontados, o custo financeiro aparece como o maior vilão. Cerca de 45% dos entrevistados afirmam que as despesas com atividades extras, alimentação fora de casa e passeios comprometem o orçamento familiar. "As férias chegam e parece que o dinheiro some mais rápido. A gente quer proporcionar momentos legais, mas o bolso não ajuda", relata a administradora paulista Carla Mendes, mãe de dois filhos.

Além disso, 38% dos pais mencionam a dificuldade em conciliar o período de folga das crianças com a rotina de trabalho. Muitos não conseguem tirar férias no mesmo período, o que gera uma corrida por opções como colônias de férias, avós ou babás. "É uma logística complexa. Se não planejar com antecedência, vira um caos", afirma o engenheiro carioca Ricardo Oliveira, pai de uma menina de 6 anos.

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Impacto na rotina e na saúde mental

A pesquisa também revela que 62% dos pais sentem que a qualidade do sono piora durante as férias, e 55% relatam aumento do estresse. A psicóloga infantil Ana Beatriz Silva, consultora do estudo, explica: "A quebra da rotina pode ser desafiadora tanto para as crianças quanto para os adultos. A falta de uma estrutura clara gera ansiedade e exige mais energia dos pais".

Outro dado significativo: 33% dos entrevistados admitem que as férias escolares afetam negativamente o relacionamento com o cônjuge ou parceiro, principalmente devido a divergências sobre como ocupar o tempo das crianças. "Muitas vezes um quer mais atividades, outro prefere descanso em casa. Isso gera atrito", comenta Ana Beatriz.

Estratégias para minimizar o estresse

Diante desse cenário, especialistas recomendam planejamento antecipado e comunicação clara entre os membros da família. "Estabelecer um cronograma realista, com momentos de lazer e também de tédio, é essencial. As crianças precisam aprender a lidar com o ócio", sugere a psicóloga. Além disso, buscar opções gratuitas ou de baixo custo, como parques e bibliotecas, pode aliviar a pressão financeira.

A pesquisa ainda aponta que 48% dos pais consideram importante que as escolas ofereçam atividades opcionais durante as férias, uma demanda que vem crescendo entre as famílias. "Seria um alívio ter opções acessíveis e de qualidade perto de casa", finaliza Carla Mendes.

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