O número de adultos com baixa escolaridade no Brasil vem caindo ano a ano, mas esse avanço é impulsionado principalmente pela mortalidade dos mais velhos, e não por políticas públicas eficazes de educação de jovens e adultos. Entre 2012 e 2025, a população sem ensino médio caiu de 75 milhões para 64 milhões, segundo relatório recente. No entanto, 51% dessa redução é explicada pela morte de pessoas com baixa escolaridade, enquanto a educação regular e exames como o Enceja contribuem com o restante, de forma insuficiente para resolver o déficit educacional.
Mortalidade como principal fator de redução
O relatório aponta que, dos 11 milhões de pessoas que deixaram de compor o grupo sem ensino médio, cerca de 5,6 milhões faleceram. Isso significa que a cada dois adultos que saíram da estatística, um morreu. Apenas uma parcela menor completou os estudos por meio da Educação de Jovens e Adultos (EJA) ou de exames de certificação. Especialistas alertam que, sem políticas efetivas, o Brasil continuará a depender da renovação geracional para melhorar seus indicadores educacionais.
Políticas públicas insuficientes
Apesar de existirem programas como o EJA e o Enceja, a cobertura é limitada e não atende à demanda. O relatório destaca que o número de matrículas na EJA vem caindo nos últimos anos, e a taxa de conclusão é baixa. “Precisamos de investimentos contínuos e de uma abordagem integrada que considere as especificidades desse público”, afirma um especialista ouvido pela coluna. Enquanto isso, o avanço por inércia, baseado na mortalidade, mascara a verdadeira dimensão do problema.
Impacto social e econômico
A baixa escolaridade está associada a menores salários, piores condições de saúde e menor participação cidadã. A persistência desse quadro, mesmo com a queda nos números absolutos, indica que o país precisa urgentemente de políticas robustas para a educação de adultos. Caso contrário, o Brasil continuará a reduzir suas defasagens educacionais apenas pela via demográfica, o que é insustentável a longo prazo.



