Qualificação é desafio para inclusão de crianças atípicas
Qualificação desafia inclusão de crianças atípicas

A inclusão de crianças atípicas nas escolas regulares brasileiras enfrenta um desafio central: a falta de profissionais qualificados. Um estudo recente do Instituto Dino revela que 78% das escolas públicas não possuem professores com formação adequada para atender alunos com necessidades especiais. A pesquisa, divulgada nesta quarta-feira, entrevistou 1.200 gestores educacionais em todo o país.

Realidade das escolas

Segundo o levantamento, apenas 22% das escolas contam com profissionais especializados, como psicopedagogos e terapeutas ocupacionais. A coordenadora do estudo, Ana Paula Silva, destaca: "A formação continuada é urgente. Sem ela, a inclusão vira exclusão disfarçada."

O estudo também aponta que 65% dos professores se sentem despreparados para lidar com crianças atípicas. A falta de recursos pedagógicos adaptados é citada por 54% dos entrevistados como uma barreira adicional.

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Impacto na aprendizagem

Crianças com transtorno do espectro autista (TEA), síndrome de Down e outras condições enfrentam dificuldades de aprendizado quando não há suporte adequado. “A inclusão sem qualificação pode gerar traumas e atrasos no desenvolvimento”, afirma a psicopedagoga Maria Fernanda Costa, que colaborou com a pesquisa.

Dados do Ministério da Educação indicam que, em 2025, apenas 30% dos alunos com deficiência estavam plenamente incluídos em salas regulares. A meta do Plano Nacional de Educação é atingir 100% até 2028, mas o estudo do Dino sugere que isso é improvável sem investimentos em capacitação.

Soluções propostas

O instituto recomenda a criação de programas de formação continuada em parceria com universidades, além da contratação de equipes multidisciplinares. “Não basta matricular; é preciso acolher e ensinar”, reforça Ana Paula Silva.

Algumas iniciativas já mostram resultados. Em São Paulo, um projeto-piloto que capacitou 500 professores resultou em aumento de 40% na participação de alunos atípicos em atividades escolares. Experiências como essa, segundo o estudo, devem ser expandidas para todo o país.

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