A Prefeitura de Bertioga, no litoral de São Paulo, instaurou uma comissão para apurar a atuação da equipe escolar no caso do aluno Bernardo Augusto Rocha, de 11 anos, que morreu após levar uma bolada na cabeça e passar mal no Colégio Municipal José de Oliveira. A informação foi divulgada nesta terça-feira (4), em meio à comoção na comunidade local.
O que aconteceu com Bernardo
De acordo com apuração do g1, testemunhas relataram aos familiares que, após ser atingido por uma bola durante uma atividade, o menino retornou para a sala de aula e passou mal. Ele foi levado por funcionários da escola à Unidade de Especialidades Médicas (Unibem) em um carro particular, antes da chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
O relatório médico apontou que houve erro na intubação da criança durante o atendimento no posto de saúde. Bernardo foi transferido em estado grave ao Hospital de Bertioga, mas teve a morte constatada após cerca de 40 minutos de tentativas de reanimação.
Investigação em duas frentes
A administração municipal informou que as secretarias de Saúde e de Educação realizam a apuração dos fatos, com análise das informações prestadas pelas equipes envolvidas, da documentação e das imagens relacionadas ao caso. Na área da educação, uma comissão foi instaurada para apurar a atuação da unidade escolar, conforme os trâmites administrativos previstos.
“A comissão conduzirá a análise técnica das informações, documentos e demais elementos pertinentes ao caso”, informou a prefeitura, acrescentando que os trabalhos estão em andamento e, por isso, não é possível informar eventuais medidas que poderão ser adotadas.
Atendimento na Unibem sob suspeita
De acordo com a Prefeitura de Bertioga, foram solicitadas manifestações formais de todos os profissionais e serviços que participaram do atendimento na área da saúde. Somente após a análise desses esclarecimentos serão adotadas as medidas administrativas cabíveis, incluindo a instauração de procedimentos de apuração pertinentes, caso necessário.
O caso levanta questionamentos sobre o protocolo de atendimento a emergências em unidades de saúde municipais e sobre a conduta da escola ao transportar o aluno em veículo particular, em vez de aguardar o Samu.
Versão da família e lacunas oficiais
A família afirma que Bernardo era saudável, sem histórico de problemas de saúde ou alergia a medicações. No entanto, a Prefeitura de Bertioga declarou que, até o momento, “não há qualquer registro oficial que comprove essa ocorrência” em relação à bolada. Não consta anotação nos livros de ocorrência da escola, nem comunicação formal à direção, aos professores ou à equipe gestora da unidade.
“Da mesma forma, não há registro dessa informação no prontuário médico da criança nem no boletim de ocorrência”, afirmou a administração municipal em nota.
Posicionamento oficial e apoio à família
A prefeitura disse que se solidariza com a família e reafirma o compromisso com a transparência, a responsabilidade e a apuração rigorosa dos fatos, “permanecendo à disposição para prestar todo o apoio necessário”.
O caso segue gerando repercussão na cidade de Bertioga, que tem cerca de 64 mil habitantes, e acende o alerta para a segurança nas escolas e a qualidade do atendimento de urgência. A comunidade aguarda os desdobramentos das investigações para esclarecer as circunstâncias da morte do menino.



