O professor titular da Uerj e mestre por Yale, Gustavo Binenbojm, lançou o livro 'Antissemitismo Estrutural' (Selo História Real/Intrínseca), que oferece uma análise sobre a resiliência histórica do ódio aos judeus. A obra demonstra como esse preconceito se adaptou aos tempos, do viés religioso e racial até manifestações contemporâneas em certas vertentes do discurso antissionista.
Lançado em meio à polarização global intensificada pelo conflito em Gaza, o livro enfrenta o desafio de demarcar o limite entre a crítica legítima às ações do Estado de Israel e a reprodução de estigmas ancestrais. Binenbojm defende um 'letramento' capaz de identificar quando o debate político cruza a linha da intolerância.
O autor explica que o antissemitismo é insidioso, velado e sutil, diferentemente do racismo estrutural. Enquanto os racistas imputam aos negros um defeito de cor, os antissemitas imputam aos judeus um defeito de alma. A identidade judaica pode ser escondida, tornando os judeus invisíveis, mas a hostilidade permanece latente na sociedade.
Binenbojm propõe que a educação anti-antissemita pode desvelar as complexidades do fenômeno, permitindo que as pessoas compreendam, resistam e desconstruam o preconceito. Ele cita Carl Jung: 'Enquanto você desconhecer o inconsciente, você continuará a chamá-lo de destino.'
O livro identifica três tipos de críticas ao Estado de Israel consideradas inadmissíveis por revelarem viés antissemita: julgar Israel com métrica de exigência diferente de outros Estados; aplicar narrativas seletivas e métricas diferenciadas; e engajar-se em campanhas difamatórias com dolo direto, mesmo conhecendo as falácias.



