Férias de julho: como ensinar educação financeira às crianças
Férias: como ensinar educação financeira às crianças

As férias de julho, período de descanso e lazer para as crianças, também podem ser uma oportunidade para desenvolver habilidades essenciais, como a educação financeira. Segundo a economista comportamental Olívia Resende, a infância é o momento ideal para introduzir conceitos relacionados ao dinheiro, pois é nessa fase que comportamentos, valores e hábitos começam a ser formados. O aprendizado, explica ela, acontece principalmente pela observação dos pais e pela participação das crianças nas decisões cotidianas.

Erro comum: evitar conversas sobre dinheiro

Resende aponta que o principal erro das famílias é evitar falar sobre dinheiro com os filhos, seja para protegê-los ou por considerar o assunto complexo. "As crianças aprendem muito mais pelo exemplo do que pelo discurso. Quando os pais as envolvem em pequenas decisões financeiras, elas compreendem naturalmente que todo recurso é limitado e precisa ser administrado. O erro é não falar sobre dinheiro e não apresentar esse universo desde cedo", afirma a especialista.

Dinheiro em espécie e recursos visuais

Para tornar o aprendizado concreto, Resende recomenda o uso de dinheiro em espécie ao dar mesada ou valores para administrar, pois visualizar as cédulas facilita a compreensão de ganhos, gastos e saldo. Em contas digitais, sugere recursos visuais, como imprimir cédulas de brincadeira representando o saldo ou usar um cofrinho transparente para a criança acompanhar o crescimento da reserva e associar poupança ao aumento do patrimônio.

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Atividades práticas e lúdicas

A especialista destaca que situações cotidianas podem virar aprendizado leve. Sugestões incluem: planejar um passeio em família definindo gastos; transformar a ida ao supermercado em jogo de comparação de preços; criar meta de economia para as férias; conversar sobre desejo versus necessidade antes de comprar; e montar o orçamento da volta às aulas, mostrando como o planejamento organiza as finanças.

Exemplo real: a experiência da médica Caroline Pássaro

A médica alergista Caroline Pássaro, 45 anos, aplicou esses conceitos com a filha Juliana, 9 anos. Desde os 6 anos, quando foi alfabetizada, Caroline introduziu o tema na rotina. Hoje, Juliana recebe uma quantia semanal ao cumprir responsabilidades como arrumar a cama, organizar brinquedos, guardar roupas e fazer tarefas escolares sem reclamações. Metade do valor vai para o cofrinho; a outra metade pode ser gasta em pequenos itens, como lanche na escola ou brincadeiras em festas juninas.

Caroline também incentiva o pensamento de longo prazo: parte da economia é destinada à compra de dólares, ensinando planejamento e valorização do dinheiro. "Explico que, se viajarmos, ela já terá um valor para comprar as próprias lembranças. Se a viagem não acontecer, o dinheiro continua guardado e valorizando para o futuro", relata. Para ela, a educação financeira vai além de economizar: "Quero que ela tenha independência financeira, aproveite oportunidades como educação, saúde e lazer, e faça escolhas conscientes para construir um futuro mais tranquilo e seguro."

*Estagiária sob supervisão de Danielle Nogueira

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