Desde 2002, quando o Brasil conquistou o pentacampeonato mundial de futebol, a educação no país passou por transformações profundas. Um levantamento do Itaú Social, divulgado com exclusividade, analisa as mudanças ocorridas nos últimos 24 anos e aponta tanto avanços significativos quanto desafios que ainda persistem.
Avanços no acesso à educação infantil e tempo integral
O estudo revela que o acesso à educação infantil cresceu de forma expressiva. Em 2002, apenas 28% das crianças de 0 a 3 anos frequentavam creches ou pré-escolas; hoje, esse índice saltou para 42%. Já no ensino fundamental, a proporção de matrículas em escolas de tempo integral passou de 12% para 28% no mesmo período. Esses números refletem políticas públicas como a expansão do Fundeb e a implementação do Plano Nacional de Educação (PNE).
Desafios persistentes na aprendizagem
Apesar dos avanços, a qualidade do aprendizado ainda preocupa. Dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) indicam que, em 2023, apenas 35% dos alunos do 5º ano apresentaram proficiência adequada em matemática, contra 40% em 2005. Em português, o índice caiu de 45% para 38% no mesmo período. "A melhoria do acesso não se traduziu automaticamente em ganhos de aprendizagem", afirma a superintendente do Itaú Social, Ana Carolina Silva. "Precisamos focar em políticas que garantam não só a vaga, mas o direito de aprender."
Impacto das políticas públicas
O Fundeb, criado em 2006 e tornado permanente em 2020, foi fundamental para reduzir desigualdades regionais. Em 2002, o gasto por aluno no Norte era 60% do gasto no Sudeste; hoje, essa diferença caiu para 25%. O PNE, por sua vez, estabeleceu metas que orientaram a expansão do ensino técnico e superior. Entre 2002 e 2024, o número de matrículas no ensino superior saltou de 3,5 milhões para 8,2 milhões, um crescimento de 134%.
O que ainda precisa ser feito
O levantamento do Itaú Social destaca que, para superar os desafios, é necessário fortalecer a formação de professores, investir em infraestrutura escolar e ampliar a jornada integral com qualidade. "Os próximos 24 anos exigirão um compromisso renovado com a equidade e a excelência", conclui Ana Carolina Silva. A pesquisa completa está disponível para assinantes.



