Brasil tem 64 milhões sem educação básica; rede busca soluções
Brasil tem 64 milhões sem educação básica; rede busca soluções

Quase 64 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais não concluíram a educação básica, aponta pesquisa de 16 organizações da sociedade civil, entre elas a Fundação Roberto Marinho, a Unesco e o Unicef. Desse total, mais de 44 milhões não terminaram o ensino fundamental e 19 milhões não concluíram o ensino médio. Apesar dos números elevados, menos de 2% dessa população tem acesso à Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Rede EJA e Inclusão Produtiva é lançada

Nesta terça-feira (7), as organizações lançaram a Rede EJA e Inclusão Produtiva, que visa propor melhorias ao novo Plano Nacional de Educação (PNE), responsável pelas metas de qualidade do ensino na próxima década. O objetivo é garantir que mais brasileiros possam concluir a formação educacional e que a EJA funcione como uma ponte para o mercado de trabalho mais qualificado.

“Nós precisamos formar para o trabalho, para que a pessoa tenha emprego, possa ser absorvida. Que o país possa se desenvolver, prosperar. Então, é todo um ciclo que nós temos que observar. Eu acho que já temos várias políticas nesse sentido, mas tem que melhorar muito ainda”, diz Rebeca Otero, coordenadora de educação da Unesco no Brasil.

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História de Francisca Laura Silva

Francisca Laura Silva é um exemplo dos desafios enfrentados por quem não concluiu os estudos. O trabalho como doméstica, o cuidado da família e as limitações financeiras a afastaram da sala de aula por 30 anos. Agora, incentivada pelos parentes, decidiu retomar os estudos e tem planos para o futuro: “Ser médica para ajudar os doentes”, afirma.

Impacto econômico

Além do impacto individual, o atraso na educação provoca um custo econômico para o país. Uma pessoa com escolaridade maior produz, ganha e consome mais, ajudando no crescimento. Segundo o estudo, o Brasil poderia gerar R$ 66 bilhões de renda extra por ano se essa população tivesse concluído a educação básica. Esse valor equivale a 0,6% de todo o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil.

“Essa rede é capaz de mostrar para a sociedade brasileira e para o poder público, inclusive, que a educação de jovens e adultos não é um assunto menor quando a gente fala de desafios da educação. Essa é uma agenda que tem uma centralidade para um projeto de país, para o futuro do Brasil”, afirma João Alegria, secretário-geral da Fundação Roberto Marinho.

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