A Universidade Federal do Acre (Ufac) suspendeu as aulas de graduação em razão da crise no transporte coletivo em Rio Branco. A decisão foi tomada na quarta-feira (15), durante reunião entre a Reitoria, docentes e representantes estudantis, diante das dificuldades enfrentadas pelos alunos para chegar ao campus. De acordo com documento obtido pelo g1, a suspensão será mantida até que a circulação mínima de 66 veículos nas linhas de transporte urbano seja garantida.
Frota atual e previsão de ampliação
Atualmente, apenas 39 ônibus estão em funcionamento na capital. A previsão é que mais 20 veículos sejam incorporados à frota até sábado (18). Apesar da paralisação das aulas, o Restaurante Universitário (RU) continuará operando normalmente até o dia 11 de agosto. A partir de 12 de agosto, o serviço ficará sob responsabilidade da nova reitoria.
Medidas acadêmicas e semestre atípico
O documento assinado pela reitora Guida Aquino determina que "deverão ser adotadas medidas acadêmicas que assegurem a reposição das atividades e evitem prejuízos aos estudantes que, em razão das dificuldades de transporte, não puderam participar das atividades realizadas até a data da suspensão". O primeiro semestre letivo de 2026 será caracterizado como atípico, e a entrega de atividades didáticas será considerada para contabilização de frequência. Os estudantes também terão direito ao trancamento total ou parcial de matrícula sem prejuízo acadêmico futuro. A reitora complementou: "A caracterização do Primeiro Semestre Letivo do ano de 2026 como atípico tem por finalidade preservar os direitos acadêmicos da comunidade estudantil diante da crise do transporte coletivo, não constituindo fundamento para a substituição das atividades presenciais por ensino remoto ou para alteração da modalidade de oferta dos cursos presenciais."
Protestos e tensão
Na terça-feira (14), estudantes voltaram a protestar na entrada da Ufac com cartazes e faixas, criticando o sistema de transporte e reivindicando um semestre atípico. No dia anterior, segunda-feira (13), houve protesto em frente à Prefeitura de Rio Branco, com momentos de tensão registrados em vídeos nas redes sociais, incluindo empurrões entre estudantes e servidores municipais. Em uma gravação, uma estudante é empurrada e cai no chão. A Prefeitura informou, por meio de nota, que respeita o direito à manifestação, mas não compactua com invasão de prédio público e agressões. Segundo o Executivo municipal, uma comissão de estudantes já tinha horário agendado para ser recebida quando parte dos manifestantes tentou entrar à força no prédio.
Reunião e medidas emergenciais
Ainda na segunda-feira, representantes da Prefeitura, da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (RBTrans), da Reitoria da Ufac, do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AC) e do movimento estudantil participaram de uma reunião para discutir medidas emergenciais. A RBTrans informou que iniciou tratativas com a empresa responsável para ampliar, de forma emergencial, a frota das linhas que atendem a Ufac e o Instituto Federal do Acre (Ifac), principalmente nos horários de maior demanda. A Ufac também divulgou nota de repúdio às agressões, classificando a mobilização dos estudantes como legítima e inadmissível qualquer episódio de violência.
Entenda a crise no transporte coletivo de Rio Branco
Desde o fim de junho, a capital enfrenta uma crise intensificada após a apreensão de parte da frota da Ricco Transportes e Turismo por decisão judicial. Atualmente, apenas 39 ônibus estão em circulação, cerca de 41% dos 94 veículos considerados necessários para atender toda a demanda. A redução provocou longas filas, ônibus lotados e aumento no tempo de espera, afetando milhares de usuários, incluindo estudantes da Ufac e do Ifac. A RBTrans informou que a operação será reforçada com mais 20 ônibus até sábado (18). Segundo o superintendente Marcos Roberto Coutinho, a Ricco foi notificada a ampliar a frota e deve colocar 10 novos veículos entre terça (14) e quarta (15). Paralelamente, a Prefeitura de Rio Branco dá continuidade ao processo de transição para a JTP Transportes, Serviços, Gerenciamento e Recursos Humanos Ltda., empresa contratada emergencialmente para assumir o transporte coletivo. O contrato tem duração de um ano e prevê um período de transição de até 90 dias, durante o qual a Ricco seguirá operando enquanto a nova empresa estrutura garagem, implanta o sistema de bilhetagem eletrônica e prepara o início definitivo das operações.



