Analfabetismo cai a 4,9% no Brasil, mas 8,4 milhões ainda não sabem ler
Analfabetismo cai a 4,9% no Brasil, mas 8,4 milhões não leem

A taxa de analfabetismo entre brasileiros com mais de 15 anos caiu abaixo de 5% pela primeira vez na série histórica, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No ano passado, o indicador ficou em 4,9%. A boa notícia, no entanto, acaba aí.

8,4 milhões de analfabetos ainda existem no país

Segundo dados do módulo de educação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, em 2025, nada menos do que 8,4 milhões de pessoas em todo o País ainda não sabiam ler e escrever. Uma verdadeira tragédia. Mais da metade dessas pessoas, 4,8 milhões, está concentrada no Nordeste.

Analfabetismo atinge mais idosos e negros

No Brasil, o analfabetismo é também mais frequente entre os cidadãos mais velhos e entre pretos e pardos. Na faixa etária acima dos 60 anos, quase 5 milhões de pessoas não sabiam ler ou escrever um simples bilhete. Cerca de 2,8% da população branca com 15 anos ou mais era analfabeta; entre pretos e pardos na mesma faixa etária, o porcentual foi de 6,5%. Entre os maiores de 60 anos, a taxa de analfabetismo entre pretos e pardos chegou a 20,6% no ano passado – quase o triplo da verificada entre os brancos (7,3%). Os números são o retrato das dificuldades históricas que esse grupo enfrenta no acesso à educação.

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Analfabetismo funcional atinge 29% da população

O analfabetismo é o sinal mais evidente – e cruel – do atraso educacional brasileiro. Mas é apenas uma das faces dos múltiplos desafios que o País acumula na formação de seus cidadãos. A ele se somam a estagnação ou o recuo das universidades brasileiras em rankings internacionais. Tampouco se pode ignorar o vasto contingente de brasileiros que, a despeito de terem frequentado a escola ou até mesmo a universidade, são considerados analfabetos funcionais: pessoas que sabem ler e escrever, mas são incapazes de interpretar um texto elementar ou realizar uma conta simples.

Um estudo divulgado no ano passado pela organização Ação Educativa e pela consultoria Conhecimento Social revelou que o analfabetismo funcional entre a população de 15 a 64 anos ficou em 29% em 2024, o mesmo patamar registrado em 2018. O levantamento também apontou que apenas um em cada quatro brasileiros nessa faixa etária – o equivalente a 23% da população – tinha nível elevado de habilidade digital.

Desafios digitais e desinteresse dos jovens

Numa era em que dominar aplicativos de celular é tão essencial quanto saber o abecedário, a maioria dos brasileiros tem dificuldade para executar tarefas básicas por meios digitais, como inscrever-se num evento pela internet ou localizar um filme numa plataforma de streaming. Como se vê, os desafios da educação brasileira são múltiplos e especialmente concentrados entre os mais velhos e os pretos e pardos – justamente as camadas mais vulneráveis da população, que tanto precisam da educação para se libertar de mazelas históricas.

Por tudo isso, é desalentadora a constatação do IBGE de que um em cada quatro jovens de 14 a 29 anos não tem interesse em estudar. É impossível dissociar esse dado dos inúmeros obstáculos que os brasileiros enfrentam para exercer um direito constitucional: o acesso à educação pública de qualidade.

Qualidade do ensino e formação de professores

Mesmo quando supera a barreira inicial do acesso à escola, o estudante do ensino médio ou superior ainda precisa lidar com aulas frequentemente desestimulantes – em parte porque o professor responsável por transmitir o conhecimento nem sempre obteve a formação de que necessitaria para fazê-lo bem. O País tem diante de si a tarefa urgente de repensar como educa seus cidadãos, dos pequenos aos universitários, sem esquecer os responsáveis por transmitir esse conhecimento.

Nem mesmo avanços como o recuo do analfabetismo conseguem mascarar a realidade de uma sociedade formada por cidadãos mal instruídos e, por isso mesmo, pouco produtiva e profundamente desigual. Ao fim e ao cabo, em pleno século 21, milhões de brasileiros ainda não sabem ler nem escrever – e, ao que parece, isso não tira um minuto de sono daqueles que almejam liderar esta nação.

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