Professor transforma alunos em figurinhas da Copa em Ribeirão Preto
Alunos viram figurinhas da Copa em projeto de professor

Um professor de Arte da Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Domingos Angerami, em Ribeirão Preto (SP), transformou seus alunos em figurinhas da Copa do Mundo. A iniciativa uniu desenho e tecnologia para as turmas do 4º e 5º anos, criando um baralho personalizado com autorretratos e atributos baseados no desempenho escolar.

Como surgiu a ideia

O professor Marco Aurélio Manzano Martins percebeu o interesse dos alunos pela Copa durante o recreio e nas aulas. Decidiu mostrar a influência da arte nos jogos de tabuleiro e propôs a criação de um material próprio. Cada estudante fez um autorretrato e imaginou um uniforme. Depois, as artes foram escaneadas e formatadas pelo professor, que usou como base as figurinhas oficiais da Copa.

“Mostrei para eles como a arte pode funcionar como mecânica de jogos. Pedi a eles que fizessem um autorretrato ou um avatar, e imaginassem o uniforme do time. Recolhi os desenhos, escaneei e formatei tudo usando como base as figurinhas da Copa. A proposta não era apenas ter o desenho, mas fazer com que funcionasse como um jogo real”, explica Marco Aurélio.

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Impacto social e pertencimento

A escola atende muitas famílias de baixa renda, o que dificulta o acesso aos pacotes de figurinhas oficiais. O professor, que também vem de origem humilde, quis trazer o sentimento de pertencimento para a sala de aula. “Eu venho de uma origem bem humilde também, cresci fazendo meus próprios brinquedos e figurinhas e quis passar essa ideia. Eles fizeram a parte deles, que era a criação do desenho, e a parte trabalhosa ficou comigo. E quando entreguei, muitos já perguntaram se podiam virar as figurinhas para jogar ‘bafo’. Eu falei: o jogo é de vocês”, afirma o professor.

A aluna Daniele Rezende Vital de Souza, de 9 anos, não tem o álbum oficial, mas amou a versão da escola. “A minha figurinha, porque fui eu que fiz”, diz. Lorena Sofia Nogueira Saviano, de 10 anos, que tem o álbum oficial, também valoriza as cartas da turma. “Gostei mais da minha porque fui eu que fiz e os meus amigos ajudaram”, relata.

Regras e disciplina em campo

Para criar a dinâmica de disputa, o educador usou as regras do clássico jogo de cartas Super Trunfo. As cartas receberam notas de ataque, defesa e drible. A pontuação de ataque foi definida pela entrega das lições; a defesa avaliou a disciplina; e o drible mediu a participação. Alunos com histórico de indisciplina passaram a se comportar para não perder pontos. “Aquele aluno que antes era muito agitado ou que sempre era retirado de sala mudou totalmente o comportamento. Ele percebeu que precisava estar presente, fazer o registro no caderno e participar das atividades para ter um atributo de defesa alto no jogo. Acabou que a figurinha virou um incentivo real para ele se manter na sala e aprender o conteúdo”, relata Marco Aurélio.

Como alguns estudantes tiraram nota máxima em todos os quesitos, o professor precisou ajustar as médias para equilibrar a competição. A aluna Esther Silva dos Anjos, de 10 anos, comemorou as vitórias e planeja criar um álbum completo da turma. “Vou pegar um livro e deixar as folhas brancas, meio que um caderno, e vou fazendo igual a um álbum. Vou colocar todo mundo da turma”, planeja.

Gratidão e resultado

Marco Aurélio conta que o processo de edição foi trabalhoso, mas a alegria dos alunos compensa. “Quando eles perguntam ‘posso levar para casa?’, isso acaba com a gente, destrói todo o cansaço e leva a gente ao chão. É muito gratificante saber que deu certo”, finaliza.

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