Estudantes alemães sepultam esqueleto que era usado em aulas de biologia
Alunos alemães dão sepultamento a esqueleto de aula

Estudantes alemães se despediram de um antigo companheiro de estudos: o esqueleto que a turma utilizava nas aulas de biologia, que finalmente recebeu um sepultamento digno. Diferente de muitos modelos modernos, esse esqueleto não era fabricado em plástico. O esqueleto, batizado pelos alunos como Niran, foi uma pessoa real — muito provavelmente um homem da Índia. E esse caso não é isolado.

Uma indústria de milhões de dólares

Uma indústria avaliada em milhões de dólares promoveu o envio de esqueletos da Índia para instituições ocidentais. Esse comércio começou no período colonial britânico e perdurou por quase dois séculos. Com os avanços da pesquisa médica nos séculos 18 e 19, a demanda por corpos para estudos anatômicos cresceu significativamente. Mas de onde viriam esses corpos?

Em vários países ocidentais, incluindo os Estados Unidos, profissionais recorriam aos chamados "corpos não reclamados" de pessoas pobres e criminosos executados. A prática gerou grande indignação tanto na Igreja quanto na população em geral na época, chegando a provocar revoltas. Os governos tentaram regulamentar o comércio de corpos por meio de novas leis, mas a demanda não podia ser atendida sem mercados ilegais.

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A origem indiana dos esqueletos

Foi então que, no século 19, o Reino Unido passou a considerar uma nova fonte de corpos: sua colônia Índia. Com a criação de instituições médicas britânicas no país, houve um aumento expressivo do comércio de corpos e ossos humanos. Essa prática continuou até pelo menos 1985. Até hoje, esqueletos oriundos da Índia ainda são utilizados no meio acadêmico. Um estudo realizado na cidade alemã de Hamburgo estima que 40% das escolas ainda utilizem esqueletos desse tipo.

A decisão dos estudantes

A turma do início da reportagem, de uma cidade do centro da Alemanha, ficou chocada ao descobrir a origem do Niran. Os alunos decidiram discutir sua história não apenas nas aulas de biologia, mas também nas de ética. Com a ajuda da professora e do serviço funerário da cidade, eles proporcionaram um descanso final ao Niran, sepultando-o de forma respeitosa.

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