A Maternidade de Campinas, no interior de São Paulo, enfrenta uma grave crise de superlotação em seu pronto atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS). A informação foi divulgada pela própria unidade nesta sexta-feira (19). A taxa de ocupação ultrapassou 115% da capacidade, com 207 pacientes internados, embora o hospital disponha de apenas 180 leitos. Muitos desses pacientes permanecem na ala de pronto atendimento enquanto aguardam uma vaga na enfermaria.
Atendimento mantido, mas com dificuldades
A direção da Maternidade afirma que todos os pacientes continuam recebendo os cuidados e exames necessários, mesmo diante da superlotação. No entanto, a situação reflete um problema mais amplo na rede pública de saúde de Campinas. Durante esta semana, outros hospitais da cidade também relataram falta de vagas no SUS.
Para evitar filas e diminuir a pressão sobre os pronto-socorros, a orientação das autoridades é que a população procure primeiro os Centros de Saúde (CS) ou as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) antes de se dirigir aos hospitais.
Outros hospitais também lotados
Na quarta-feira (17), o Hospital da PUC-Campinas registrou superlotação pela quinta vez no ano. O pronto-socorro adulto operou com 415% da capacidade, com 44 pacientes em macas nos corredores. Em nota, a instituição informou que pediu à prefeitura que suspendesse o envio de novos pacientes, alegando não ter "condições seguras para receber novos encaminhamentos".
Na quinta-feira (18), outras unidades relataram superlotação:
- Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp: operava com 19 pessoas nos leitos e 38 em outras alas;
- Rede Mário Gatti: hospitais municipais e UPAs registraram lotação de 95% a 100% nos setores de alta complexidade.
Novos leitos prometidos, mas não entregues
Para tentar aliviar o sistema, o Governo de São Paulo informou que finaliza a contratação de 100 novos leitos do SUS na Casa de Saúde São Leopoldo Mandic. A medida foi publicada no Diário Oficial em 8 de junho, mas as vagas prometidas ainda não estão disponíveis.
A Prefeitura de Campinas explicou que a superlotação tem dois motivos principais. A cidade recebe cerca de 25% de pacientes de outros municípios e sofre com os impactos do inverno, época em que aumentam as doenças respiratórias e cardiovasculares. A administração municipal afirmou que realiza reuniões com os hospitais para minimizar o problema e pediu ao governo estadual que reduza o envio de pacientes de fora.



